O núcleo da Medicina radica «num impulso emocional de ajuda, de compaixão e de solidariedade»

José Silva Cardoso, presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), considera-se um homem sereno e ponderado. Embora, por hábito, analise em pormenor os problemas que se lhe põem, não raro a decisão final surge, súbita e definitiva, num impulso vindo mais da área da intuição do que da razão. Como na escolha da Medicina por profissão, ao optar pela especialidade de Cardiologia e, mais recentemente, ao aceitar ser presidente da SPC. Em entrevista à LIVE Cardiovascular, em sua casa, falou sobre as suas raízes, a família, a educação e a formação e pronunciou-se ainda acerca do trabalho desenvolvido, até ao momento, pela equipa que lidera na SPC.

Tendo terminado o curso na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto em 1979, José Silva Cardoso refere que "a verdadeira essência da Medicina foi-me revelada muito mais tarde, quando, após a doença e o falecimento de vários familiares muito próximos, e após eu próprio ter ficado doente, percebi que os doentes desejam do seu médico muito mais do que eficiência técnico-científica."

Na sua opinião, os doentes "necessitam de alguém a quem se possam entregar, em quem possam depositar as suas dúvidas, inseguranças e ansiedades, decorrentes da sua condição de mortais. Percebi então que o núcleo da Medicina não radica nem na ciência nem na tecnologia, embora necessárias. Assenta, isso sim, num impulso emocional de ajuda, de compaixão e de solidariedade. A ciência e a tecnologia são apenas os meios de veicular aquele exercício de amor ao próximo que é núcleo desta Ciência e Arte."

Relativamente à sua opção por Cardiologia, explica que "sempre me revi dentro da Medicina como um internista. Tenho uma profunda admiração pela Medicina Interna (MI) porque procede de uma visão global da Medicina. Na minha opinião, a MI é, por excelência, a especialidade que tem uma visão integrativa dos vários órgãos e sistemas. Contudo, 15 dias antes da data estabelecida para a escolha da especialidade, decidi, sem explicação lógico-racional, ir para Cardiologia. Decisão que provou ser, para mim, a correta."

A importância da formação foi também um dos temas desenvolvidos nesta entrevista. A Sociedade Portuguesa de Cardiologia tem assumido, desde sempre, um papel liderante nessa área e José Silva Cardoso salienta que a direção 2013-15 da SPC quer "dar um impulso adicional a essa liderança, transformando o seu património de conhecimento numa escola de formação científica. Assim, em 2014, criou a Escola de Formação Pós-Graduada em Medicina Cardiovascular da SPC. Esta surge, já com os seus três primeiros cursos: o SAVIC, a primeira escola luso-brasileira de reanimação em insuficiência cardíaca e projeto pioneiro a nível mundial um curso cardiovascular dirigido à Indústria Farmacêutica e um outro de ecocardiografia para não cardiologistas."

Entre vários outros temas abordados, a entrevista de José Silva Cardoso à LIVE Cardiovascular termina com a indicação de que continuará a ser desenvolvido um trabalho "em prol do reforço da cooperação com outras sociedades científicas e fundações nacionais da área cardiovascular, ou afins, dando um particular destaque à Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC). Por proposta da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, enviada às mais de 60 sociedades médicas portuguesas, está em formação o Conselho Superior das Sociedades Científicas Médicas Portuguesas".

Acrescenta o presidente da SPC que "está também em desenvolvimento uma proposta da SPC à APMGF para a criação de uma Aliança para a Prevenção Cardiovascular. Adicionalmente, é de salientar que, entre outros esforços de cooperação, a SPC, através do CNCDC, passou a integrar um Consórcio Português de Registos de Saúde e assinou protocolos com a Universidade de Aveiro, com vista à assessoria técnico-científica na remodelação do portal, e com o INSA, para a criação do Museu Digital da SPC."



A entrevista com José Silva Cardoso pode ser lida na íntegra na atual edição de LIVE Cardiovascular.

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