Lisboa vai ser o «ponto de confluência dos internistas de todo o mundo»

Portugal vai receber, no próximo mês, o 18.º Congresso Europeu de Medicina Interna. Segundo o presidente do evento, Luís Campos, "foram submetidos 2250 trabalhos para apresentação, com uma presença significativa de portugueses, embora tenham sido submetidos trabalhos de 45 países."
 
Em declarações à Just News, o médico não tem dúvidas em afirmar: "O facto de se realizar em Portugal é um reconhecimento da importância da Medicina Interna portuguesa”.



O internista espera que este Congresso, que terá lugar de 29 a 31 de agosto, seja “um ponto de confluência dos internistas de todo o mundo, seguindo a tradição que Portugal tem da capacidade de fazer pontes (entre povos, nações, culturas, etc.)".

Luís Campos lembra que, inicialmente, o evento era realizado conjuntamente com o congresso nacional de cada país, mas desde há quatro anos que acontece de forma independente.

"Mudar o modelo hospitalar e integrar os vários níveis de cuidados"

“Innovation in Health Care: New Opportunities for Internal Medicine” é o tema da 18.ª edição do Congresso Europeu de Medicina Interna. Questionado sobre os motivos que levaram a esta escolha, Luís Campos começa por sublinhar a urgência de se mudar o paradigma da resposta aos doentes crónicos, "que tem sido fragmentada, reativa , episódica, através das urgências, centrada nas doenças”. 



“Há cada vez mais doentes idosos e com multimorbilidades, que são atualmente os grandes utilizadores das urgências, dos hospitais e de todo o sistema de saúde”, diz Luís Campos, frisando a necessidade de dar uma resposta a estes doentes: “Temos de mudar o modelo hospitalar e integrar os vários níveis de cuidados.”

O médico e diretor do Serviço de Medicina do Hospital de São Francisco Xavier/CHLO aponta então como exemplo destas "oportunidades para a Medicina Interna" a implementação de programas de cogestão de doentes cirúrgicos, "que contemplem uma equipa de internistas que esteja nos serviços cirúrgicos e otimize a condição destes doentes antes da cirurgia e os vigie no pós-cirurgia".



Internamento: "10 a 20% dos doentes podem ser tratados em casa"

Luís Campos, que preside à Comissão de Qualidade e Assuntos Profissionais da Federação Europeia de Medicina Interna, aponta igualmente a necessidade de encontrar alternativas para o internamento e para as urgências, na medida em que “estes doentes têm sido tratados de uma forma fragmentada, reativa, quando descompensam nos episódios agudos e através das urgências”.

Uma dessas alternativas é, segundo o médico, a hospitalização domiciliária. “Cerca de 10 a 20% dos doentes que são internados nos serviços hospitalares podem ser tratados em casa."

Na sua opinião, "este tipo de cuidados deve ser assegurado por equipas multidisciplinares, com apoio da Enfermagem, do Serviço Social, dos farmacêuticos e de outros profissionais, mas a especialidade médica melhor preparada para a hospitalização domiciliária é a Medicina Interna, mesmo que se trate de doentes cirúrgicos".


Luís Campos

“O internamento é um ambiente adverso para este tipo de doentes, não só porque estão fora do seu meio, mas também porque podem adquirir infeções hospitalares que muitas vezes acabam por os conduzir à morte ou aumentar a demora média e gerar mais complicações”, refere.

E acrescenta: “A hospitalização domiciliária é mais eficiente, mais satisfatória para os doentes. Em Portugal, a rapidez da sua implementação deve-se, naturalmente, ao facto de ser ter tornado uma prioritária política, mas também porque a Medicina Interna estava preparada para esta mudança, iniciou programas pioneiros e aderiu de forma extraordinária à sua expansão.”

"Programas de cuidados integrados"

Segundo o especialista, é preciso igualmente implementar "programas de cuidados integrados, que garantam a continuidade de cuidados aos doentes crónicos mais complexos".

Luís Campos desenvolve a ideia, mencionado os principais pontos destes programas: "Implicam a elaboração de um plano individual de cuidados para cada doente, em conjunto com os cuidados primários, a constituição de equipas multidisciplinares, gestores de caso, a partilha de registos clínicos, a criação de uma única porta de entrada no hospital diferente da porta da urgência e a possibilidade de comunicação entre o doente, o cuidador ou o médico de família com a equipa hospitalar."

E não tem dúvidas: "Também para esta mudança, absolutamente fundamental, a Medicina Interna é a especialidade hospitalar melhor preparada para assumir a sua liderança no hospital e fazer a ponte com os outros níveis de cuidados."

O programa completo do 18.º Congresso Europeu de Medicina Interna pode ser consultado aqui.



A entrevista completa pode ser lida no Hospital Público de maio/junho de 2019.

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