Lombalgia: projeto-piloto reduziu em 40% «a probabilidade de se desenvolver dor crónica»

Foram hoje conhecidos os resultados do projeto SPLIT, "um novo sistema de referenciação para tratamento estratificado de fisioterapia em indivíduos com lombalgia que recorrem aos cuidados de saúde primários".

"Comparando com o modelo atual, que assenta muito na farmacologia, o SPLIT permite uma redução de quase 40% na probabilidade de se desenvolver dor crónica incapacitante”, reiterou Eduardo Cruz, fisioterapeuta e investigador principal do projeto, durante a II Conferência "Lombalgia nos Cuidados de Saúde Primários", que teve lugar na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.



Implementado em sete unidades funcionais (UF) do ACES Arrábida, desde fevereiro de 2018, o SPLIT tem como objetivo “a estratificação de indivíduos com um episódio de lombalgia em categorias de risco (baixo, médio e elevado) de desenvolverem sintomas persistentes e incapacitantes, maximizando a sua referenciação para tipologias de tratamento com maior custo-utilidade”.

Além de contar com a parceria da ARS Lisboa e Vale do Tejo, através do ACES Arrábida, é promovido pela Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Setúbal e pela Nova Medical School - Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa.


Eduardo Cruz

Face aos resultados positivos, que incluem também o custo-efetividade, Eduardo Cruz não quer ficar apenas pelo projeto-piloto. “Já temos várias solicitações para ajudarmos a implementar o SPLIT", referiu o investigador, acrescentando:

"Vamos inevitavelmente ver qual a melhor forma de o tornar sustentável, porque, além das mais-valias para o utente, é um projeto qualificante para os profissionais de saúde, assentando numa base multidisciplinar.”



ACES Arrábida: “Queremos ser um exemplo de boas práticas”

Quem também quer manter o projeto SPLIT é Bárbara Carvalho, diretora executiva do ACES Arrábida. “Vamos continuar, sem dúvida, e o nosso objetivo é alargar a mais UF do ACES, não ficando apenas pelas atuais sete”, garantiu. A responsável fez questão de salientar que “o SPLIT tanto abrangeu as USF modelo A e B como as UCSP, apesar de o ACES ter um elevado número de utentes sem médico de família”.

A diretora executiva destacou ainda o empenho dos médicos e fisioterapeutas. “Estão todos muito motivados, porque é um projeto inovador, que tem maior robustez pela sua ligação à academia e também pelo apoio permanente do Conselho Clínico e de Saúde do ACES, quer o atual como o anterior.”

Bárbara Carvalho referiu estar orgulhosa pelo trabalho desenvolvido e espera que o trabalho do ACES Arrábida seja inspiração para mais agrupamentos a nível nacional. “Queremos ser um exemplo de boas práticas e de como um projeto, que não exige grandes recursos físicos, pode ter sucesso se houver motivação e empenho.”



Projeto a dar primeiros passos no ACES Arco Ribeirinho

E o exemplo já começou mesmo a ser replicado no ACES Arco Ribeirinho da ARS Lisboa e Vale do Tejo. Miguel Lemos, diretor executivo, contou à Just News como já estão a ser dados os passos iniciais. “As primeiras conversações começaram no final do ano passado e, atualmente, já decorreram as ações formativas aos interlocutores das 13 UF do ACES Arco Ribeirinho, quer médicos como fisioterapeutas.”

O gestor espera assim que até ao final do ano já se tenha o projeto implementado no terreno, pelo menos nalgumas unidades. “Pretendemos abranger todas as UF, contudo de forma faseada. Temos apenas 4 fisioterapeutas.”

Questionado sobre a mais-valia do projeto, Miguel Lemos é perentório: “É um projeto que reforça o papel dos CSP na esfera da prevenção, promoção e tratamento de primeira linha; além disso é custo-efetivo.”


Eduardo Cruz, Isabel Pinto, Bárbara Carvalho e Miguel Lemos

Unidos pela continuidade do SPLIT

Após terem sido conhecidos os resultados, houve um momento para debater o projeto e, além de Eduardo Cruz, estiveram presentes Isabel Pinto, presidente do Conselho Clínico e de Saúde do ACES Arrábida; Fernando Pimentel Santos, investigador do projeto e reumatologista; e João Ramires, da Equipa Regional de Apoio da ARS Lisboa e Vale do Tejo, em representação do presidente Luís Pisco. A moderar esteve Rute de Sousa, investigadora do CEDOC da Nova Medical School-Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa.


Bárbara Carvalho, Isabel Pinto, Eduardo Cruz, Ana Rodrigues, Helena Canhão, Rute Sousa, Rita Fernandes, Carmen Caeiro e Sofia Paiva

Todos foram unânimes nas mais-valias do SPLIT, realçando a imperiosidade de se conseguir manter o investimento do projeto que termina já em agosto.

Abordaram ainda a necessidade de existir um item no SClinico que relembre o médico de família para a importância de referenciar para o SPLIT e como deveria haver mais fisioterapeutas nos cuidados de saúde primários. Os participantes no debate mencionaram ainda a relevância de se dar formação tanto aos fisioterapeutas como aos médicos de família.

Participaram na conferência algumas dezenas de profissionais de saúde, nomeadamente médicos de família e fisioterapeutas.



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