Mais de 35 mil doentes com VIH contam com o SNS «para ter qualidade de vida»

O secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, lembrou, no último fim de semana, que o “VIH ocupa uma fatia significativa de recursos do Sistema Nacional de Saúde, que será tendencialmente crescente face ao acumular de casos e às novas e mais eficazes formas de tratamento”.

Aquele responsável falava na cerimónia de abertura das XVIII Jornadas de VIH 2017, organizadas pelo Núcleo de Estudos da Doença VIH (NEDVIH) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), que decorreram em Peso da Régua.

“Em 2016, só em medicamentos abrangidos pela gratuitidade na distribuição hospitalar, o país gastou cerca de 235 milhões de euros, sendo os antirretrovíricos a rubrica mais pesada a seguir aos  imunomoduladores”, disse.



O secretário de Estado afirmou que “é necessário ter consciência do impacto económico destes custos na sociedade portuguesa”.

Acrescentou, porém, que “a utilização destes recursos é virtuosa, porque contribui para a qualidade de vida de mais de 35 mil doentes, a que se adiciona a qualidade de vida dos familiares e os ganhos de produtividade que muitos deles acrescentam à vida das empresas e dos serviços onde trabalham”.



“Surpreendente e devastador no início, o VIH transformou-se numa doença crónica e controlada, graças ao novo armamento terapêutico, ao trabalho de profissionais de diferentes áreas e à assunção de novas perspetivas de combate à doença, em que a prevenção e a educação para a saúde assumiram um papel decisivo”, sublinhou.

Incidência do VIH baixou, mas ainda está acima da média da União Europeia

Ao usar da palavra, Telo Faria, coordenador do NEDVIH, referiu que em 2016 se verificou uma taxa de incidência de VIH de 8,1 novos casos por 100 mil habitantes, um número que, ainda assim, está acima da média dos países da União Europeia, que registam uma taxa de 6,3 novos casos por 100 mil habitantes.



Alertando para a existência de um número ainda muito elevado de diagnósticos tardios, o coordenador do NEDVIH referiu que é necessário diagnosticar precocemente e encaminhar os doentes para os cuidados de saúde. E acrescentou:

“Um dos objetivos para 2017 é aumentar em 15% o número de testes rápidos de VIH realizados nos Centros de Aconselhamento e Deteção Precoce da Infeção pelo VIH/SIDA (CAD), cuidados de saúde primários e estruturas de base comunitárias.”

“A MI é e tem de ser cada vez mais a especialidade nuclear nos hospitais”

Ao intervir, Luís Campos, presidente da SPMI, sublinhou que “os núcleos de estudos são, para a SPMI, a expressão da dinâmica e da alma da Medicina Interna e da sua diversidade”.



Segundo aquele responsável, a SPMI tem defendido que “a MI é e tem de ser cada vez mais a especialidade nuclear nos hospitais”. Conforme disse, o modelo atual, onde os doentes têm de deambular entre silos dedicados a órgãos ou sistemas, já não é adequado.

“Precisamos de modelos departamentais onde a MI tome conta dos doentes e articule a intervenção das outras especialidades. Necessitamos também de estar nos serviços cirúrgicos numa lógica de cogestão, para que os doentes sejam operados nas melhores circunstâncias e para prevenir as complicações no pós-alta”, afirmou.



Entre outras questões, Luís Campos fez referência à necessidade de desenvolver a Medicina Ambulatória, criando alternativas ao internamento, diminuindo o recurso à Urgência e a demora média, através do investimento em hospitais de dia, da disseminação da hospitalização domiciliária, da implementação de cuidados integrados com os cuidados primários, cuidados continuados e assistência social.


Telo Faria, Luís Campos, Manuel Delgado, João Gaspar e Mário Montes.

Na abertura do evento intervieram também João Gaspar, diretor clínico do Centro Hospitalar de Trás os Montes e Alto Douro, e Mário Montes, vereador da Câmara Municipal de Peso da Régua, em representação do seu presidente.



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