Manuel Barbosa deixa direção do Serviço de Imunoalergologia do CHULN

“Sem um apoio sólido da Enfermagem não é possível qualquer exercício clínico da Medicina nos dias de hoje.” As palavras são do imunoalergologista Manuel Barbosa, que deixou de ser, por limite de idade, diretor do Serviço de Imunoalergologia do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN) no passado dia 17 de fevereiro.


Manuel Barbosa

Manuel Barbosa completou os 70 anos no passado dia 18 de fevereiro, o que o obrigou a deixar a direção e a atividade clínica no CHULN. Entre colegas e amigos presidiu à última reunião.

O médico que liderou durante 17 anos o primeiro Serviço de Imunoalergologia do país e que aprendeu com “o pai” da especialidade, Antero Palma-Carlos, é conhecido pela importância que dá ao papel dos outros grupos profissionais, nomeadamente, os enfermeiros.

Em declarações à Just News, faz precisamente questão de salientar que “médicos e enfermeiros têm que ter objetivos comuns para se conseguir fazer um bom trabalho em prol dos doentes”, acrescentando:

“No CHULN temos o privilégio de contar com o apoio de enfermeiros com uma formação altamente qualificada. A Unidade de Técnicas e o Hospital de Dia não funcionariam sem eles.”



O especialista realça ainda o papel de outros grupos profissionais, como os nutricionistas, por causa das alergias alimentares. “Os técnicos também têm um papel fundamental. Hoje em dia, a Medicina exige uma equipa que seja multidisciplinar e multiprofissional.”

"Vamos continuar a ser uma referência"

Olhando para o futuro da equipa de Imunoalergologia, não se mostra preocupado: “É um serviço de elevado prestígio nacional e internacional, com condições de trabalho razoáveis e acredito que nos próximos 20 a 25 anos não haverá problemas significativos em termos de recursos humanos."

Na sua opinião, e além dos doutorados, "temos internos de grande qualidade e, face à nossa vertente formativa e de investigação, integrada num hospital universitário, vamos continuar a ser uma referência a nível assistencial, de ensino e de investigação.”


Última reunião de Serviço presidida por Manuel Barbosa

Acreditando que “não podemos nem devemos eternizar-nos no poder”, gostaria, contudo, que a lei em Portugal fosse diferente. “A partir dos 70 anos não devemos manter-nos como diretores, mas poderíamos, como noutros países, continuar a dar formação e a ver doentes.”

Sendo também docente na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL), vai manter-se, no entanto, em atividade até ao final do ano letivo, podendo então ter a Lição de Jubilação.


Elisa Pedro, Manuel Barbosa e Ortélia Dias (enfermeira chefe)

“O Professor foi um visionário”

A sucessora no cargo é Elisa Pedro, que trabalha com Manuel Barbosa desde o Internato. Questionada sobre o cunho que Manuel Barbosa deixa ao Serviço, destaca o modelo organizacional.

Segundo a médica, “o professor foi um visionário em termos de estratégia, ao optar pelo caminho da diferenciação dos vários profissionais e pela criação de unidades funcionais, que permitiram aos profissionais desenvolver as áreas de interesse, com claros benefícios para os doentes.”

Elisa Pedro recorda também outro legado de Manuel Barbosa: “Permitiu a criação de uma rede no serviço, tornando-nos mais fortes e competentes a nível assistencial, de ensino e de investigação, o que conduziu à criação de centros de excelência. Além disso, deu a conhecer o nosso trabalho às restantes especialidades numa altura em que éramos conhecidos como ‘os médicos dos espirros’.”



Um percurso marcado pela Imunoalergologia e pela Medicina Interna

Na última reunião de Serviço, Manuel Barbosa fez questão de relembrar que, antes de ser imunoalergologista, é internista. “Todos os dias estudo Medicina Interna.”

Natural de Braga, formou-se em Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, conheceu Antero Palma-Carlos quando era aluno do 5.º ano e foi convidado para dar aulas de Propedêutica Médica, tarefa que manteve até hoje. Em 2003 foi nomeado diretor do Serviço de Imunoalergologia do CHULN, integrado no Departamento de Medicina, tendo apostado na diferenciação e na criação de unidades funcionais.


17 anos a liderar um serviço de "elevado prestígio nacional e internacional"




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