Manuel da Silva Meirinho: Garcia de Orta homenageou «figura ímpar» da Ginecologia/Obstetrícia

O primeiro diretor do Serviço de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital Garcia de Orta (HGO), Manuel da Silva Meirinho, foi homenageado na passada sexta-feira, no âmbito da celebração do 25.º aniversário daquele hospital. Para Alcides Pereira, que dirige atualmente o Serviço, o “Professor Meirinho é uma figura ímpar da Medicina portuguesa e, em particular, da especialidade de Obstetrícia e Ginecologia”.

Durante a sessão solene que assinalou os 25 anos do HGO, na qual estiveram presentes familiares de Manuel da Silva Meirinho, Alcides Pereira, que pertenceu à primeira equipa do ginecologista e obstetra homenageado, recordou o percurso daquele que afirmou ter sido, para muitos, uma “fonte de inspiração”:

“Desde sempre imbuído de enorme espírito vanguardista, foi através de propostas suas que ao seu Serviço do Hospital de Santa Maria chegaram o primeiro ecógrafo para uso obstétrico-ginecológico, cardiotocógrafo, e o primeiro medidor de PH fetal. Nas suas palavras, era preciso ‘transformar a arte tocológica em ciência obstétrica’”, relatou Alcides Pereira.

Sentindo que não era reconhecido, desiludido e injustiçado no seu próprio hospital universitário, aceitou, em 1991, o desafio de Albino Aroso, então secretário de Estado para a Saúde e seu amigo, para inaugurar e dirigir o Serviço de Obstetrícia e Ginecologia do HGO, onde “congregou à sua volta uma equipa diversificada, oriunda de vários outros hospitais, e modelou-a à imagem do seu espírito experimental, inquieto, inovador, que adorava perscrutar o desconhecido”.



De acordo com Alcides Pereira, pelas mãos de Manuel da Silva Meirinho nasceu uma das escolas mais inovadoras de enfermeiras e enfermeiros obstetras do país. “Via o Serviço como o seu jardim perpétuo onde plantava seres que ajudava a crescer. Talvez trazida de casa (a sua esposa era enfermeira), a paixão e estima que sentia pelas senhoras enfermeiras era reconhecidamente admirável”, recordou.

“Académico por excelência, trazia-nos diariamente artigos científicos como pão fresco e entulhava-nos a alma com saber, princípios e ética da vida”, acrescentou.

Na ótica do atual diretor do Serviço de Obstetrícia e Ginecologia, Manuel da Silva Meirinho soube como ninguém “amortecer o obscurantismo do seu tempo”. “Contra corrente, bateu-se, sem tréguas, pelos direitos das mulheres. Era capaz de ver onde os outros não viam. Cedo percebeu que a contraceção era um acervo importantíssimo para a autonomia das mulheres. Transformou-se obsessivamente num paladino da contraceção”, mencionou.

E acrescentou: “Testemunham diversos discípulos seus que, até em conventos e sacristias, deu inauditas palestras de contraceção, a que chamava palestras celestiais. Desejava que Deus o ouvisse, não fora dar-se o caso de aí haver também muitos infiéis à contraceção.”

Para Alcides Pereira, falar do Prof. Meirinho é falar de um homem “bom, interclassista, de personalidade aberta, direta e franca, de um académico que viveu a vida em sobressalto, com genuíno sentido de missão, no interesse de servir os outros”.



Manuel da Silva Meirinho foi ainda homenageado com a criação de um jardim, ao qual foi atribuído o nome do médico, que faleceu em 2014, aos 77 anos. Neste espaço, que foi inaugurado após a sessão solene comemorativa dos 25 anos do HGO, encontra-se uma escultura de grande dimensão oferecida por um particular ao hospital.




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