Médicos dentistas querem «ver o seu trabalho reconhecido no Serviço Nacional de Saúde»

Os médicos dentistas do SNS continuam a ser técnicos superiores em termos de carreira, “uma situação perfeitamente desenquadrada das competências e da formação destes profissionais”, segundo José Frias Bulhosa. O médico dentista e presidente da Comissão Organizadora do 2.º Encontro Nacional de Medicina Dentária no SNS, alertou para este problema no evento que decorreu na UCSP Sete Rios (Lisboa), mas também reconheceu “que têm sido dados passos importantes na Saúde Oral no SNS”.



No encontro, esteve em destaque o recente despacho do secretário de Estado adjunto e da Saúde, Fernando Araújo, que levou à criação de um grupo de trabalho para definir a carreira de Medicina Dentária no Serviço Nacional de Saúde SNS. Este grupo já tinha sido prometido pelo responsável governamental no passado dia 20 de março, quando se assinalou o Dia Mundial da Saúde Oral e se anunciou a abertura do concurso para a contratação de mais médicos dentistas face aos bons resultados dos 13 projetos-piloto iniciados em setembro de 2016 para pessoas com patologias de risco.



José Frias Bulhosa reconheceu que “o atual Governo tem apostado nesta área da saúde”, contudo, ainda haverá arestas a limar, como disse à Just News. “Há algumas dificuldades na aquisição de materiais, temos mesmo colegas que ainda não receberam o que pediram em setembro de 2016, e ainda há quem não tenha uma assistente para ajudar nos cuidados prestados.” Pontos menos positivos que, garantiu, “não têm posto em causa os tratamentos e a qualidade dos mesmos”.

No entanto, com a contratação de mais médicos dentistas e com o possível alargamento das consultas a populações que não são portadoras de patologias de risco, “é essencial que se resolva esta questão dos materiais o quanto antes”, acrescentou.

No evento participaram vários profissionais que partilharam experiências e contou-se com a presença de Alcindo Maciel, da equipa da Coordenação Nacional para a Reforma dos CSP do Ministério da Saúde, que relembrou a necessidade de existir uma maior interoperabilidade.

“Os sistemas informáticos – como o SISO para os cheques-dentista – devem ser melhorados e permitirem uma maior partilha entre diferentes profissionais de saúde”, observou. Relembrou ainda que “todos os médicos e enfermeiros devem apostar na promoção da Saúde Oral, o que nem sempre tem acontecido”.



À sua intervenção seguiu-se a sessão de abertura, na qual Orlando Monteiro da Silva, bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, insistiu no reconhecimento de uma especialidade que é “tão importante para a população, principalmente para os que têm piores condições financeiras”. E frisou que “a OMD não vai desistir, para que os profissionais desta área da saúde possam ver o seu trabalho reconhecido no SNS”.



Da parte do Ministério da Saúde, o secretário de Estado Fernando Araújo também esteve presente, tendo abordado a questão do grupo criado para a definição da carreira de médico dentista. Também informou que, no âmbito dos projetos-piloto, registaram-se 8300 utentes referenciados pelos médicos de família, 1500 dos quais já terminaram os tratamentos, quase 3 mil estão a ser tratados e, até ao momento, foram realizadas mais de 13 mil consultas.

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