Ministro da Saúde «não soube aproveitar as propostas dos vários parceiros sociais»

Em entrevista de fundo à Just News, o presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, deixa clara a sua posição muito crítica relativamente à gestão do Ministério da Saúde ao longo do mandato que agora finda. Afirma que o ministro "ignorou a quase totalidade das propostas apresentadas", que esteve "muito centrado nas finanças, desvalorizando as pessoas" e considera mesmo que "foi, provavelmente, um dos piores mandatos de um ministro da Saúde".

Para Miguel Guimarães, o ministro da Saúde "não soube aproveitar as propostas que os vários parceiros sociais foram apresentando, nomeadamente a Ordem dos Médicos, quer na área dos cuidados de saúde primários, quer no que toca a soluções para conter a emigração médica, a saída para o setor privado e a falta de recursos humanos e técnicos nalgumas zonas carenciadas".

E dá um exemplo: "a política de incentivos apresentada recentemente é medíocre e demagógica (125 euros por mês durante 4 anos, sem garantias da qualidade das condições de trabalho) e não motiva um profissional altamente qualificado a ocupar um lugar numa zona carenciada".



Questionado sobre que medidas positivas considera terem sido tomadas, Miguel Guimarães é de opinião que foram "muito poucas, e que quase se centram na política do medicamento". Refere que o ministro "reduziu efetivamente o preço dos medicamentos ambulatórios" e que, com esta medida, "atingiu um nível de poupança elevado para o Estado e também para os doentes, sendo que a comparticipação do Estado, nalguns casos, diminui de forma notória."

Contudo, acrescenta, "a compensação com a descida dos preços dos medicamentos não impediu, na prática, que muitos portugueses continuem a não comprar todos os que necessitam por não terem dinheiro para o fazer".

Parte significativa do orçamento da Saúde "tem que ser para promover a saúde e prevenir a doença"

Ao longo da entrevista, o presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos desenvolve vários temas, como o combate à corrupção e a transparência de processos, a reforma dos cuidados de saúde primários, a emigração de "muitos médicos de família" e a fuga de médicos do SNS para o setor privado. Dá também alguns exemplos concretos de "alguma coisa de diferente e urgente" que, na sua opinião, o Ministério da Saúde teria que fazer, sobre, nomeadamente, os concursos, condições de trabalho, recrutamento de médicos, formação especializada de MGF.

Relativamente ao tema específico da prevenção e promoção da saúde, Miguel Guimarães não tem qualquer dúvida de que é necessário "investir uma parcela maior do Orçamento de Estado para a Saúde em medidas que promovam hábitos físicos e alimentares saudáveis, prevenindo de forma eficaz as doenças crónicas (representam 80% do orçamento da Saúde) e monitorizar e tratar atempada e corretamente as mesmas doenças, no sentido de evitar as suas habituais complicações."

O responsável considera que a diabetes é um ótimo exemplo do que afirma e explica porquê: "Apesar de ter tido uma evolução positiva nos anos mais recentes, continua a ter um peso excessivo no orçamento da Saúde (cerca de 10%). Se tivermos menos doentes diabéticos gastamos menos, mas isso só vai acontecer se a promoção e a prevenção forem eficazes."

E sublinha: "Há, pois, que fazer aquilo que muitos países, como, por exemplo, a Holanda, já fizeram, ou seja, uma parte significativa do orçamento da Saúde tem que ser para promover a saúde e prevenir a doença."



A entrevista completa pode ser lida na edição de outubro do Jornal Médico, publicado pela Just News.

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