População portuguesa pouco sensibilizada para o enfarte agudo do miocárdio

O tratamento do enfarte agudo do miocárdio, em Portugal, tem vindo a melhorar. Contudo, “é importante continuar a sensibilizar a população” para esta situação, para os seus sintomas e para o que deve ser feito. Quem o diz é Hélder Pereira, coordenador da Stent For Life e presidente da Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC), da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC).

Durante a sua intervenção na reunião realizada na passada sexta-feira, no auditório da SPC, onde foi comemorado o 3º aniversário da Stent For Life, Hélder Pereira lembrou o início deste projeto no nosso país e fez um retrato atual do tratamento do enfarte agudo do miocárdio.

Segundo referiu, Portugal tem vindo a melhorar no que respeita a este aspeto, tendo aumentando o número de angioplastias primárias e o conhecimento da população relativamente à atuação que deve ter perante um enfarte. Todavia, no seu entender, “os números ainda não são satisfatórios e é preciso continuar com as campanhas”.

Aludindo a um estudo realizado, Hélder Pereira referiu que apenas 24% dos inquiridos sabe quais são os sintomas do enfarte. O número de pessoas que ligou 112 nestes casos aumentou de 23 para 37%, valor que o presidente da APIC considera ser baixo.

“É importante continuar a sensibilizar a população para a importância de ligar o 112”, salientou, referindo que o tempo que medeia entre o início dos sintomas e o tratamento ainda é elevado.

A iniciativa Stent For Life foi lançada pela coligação da European Association of Percutaneous Cardiovascular Interventions e do EuroPCR e foi trazida para Portugal pela APIC, com o objetivo de melhorar o acesso dos doentes com enfarte agudo do miocárdio à angioplastia primária. “Não perca tempo, salve uma vida – O enfarte não pode esperar” é o lema da campanha.



José Silva Cardoso, presidente da SPC, moderador da reunião, fez questão de felicitar e agradecer a todos os organizadores e participantes da iniciativa. O cardiologista lembrou que, além das atividades de âmbito científico e de formação médica, as sociedades científicas desenvolvem também uma intervenção junto do público, reforçando as práticas profiláticas da doença e os hábitos de vida saudável.

No entanto, considera que “a intervenção das sociedades científicas pode e deve ter um âmbito mais alargado e envolver os decisores políticos”, porém, segundo referiu, embora estas disponham de grande prestígio, “o poder político não lhes atribui relevância, não as consultando para a sua tomada de decisão”.

“No contexto de limitação de recursos, é importante que a gestão dos que são alocados à saúde seja feita com base na maior ciência médica que se alberga nas sociedades científicas, sendo nossa opinião que o poder político deverá incluí-las no processo de tomada de decisões relevantes”, defendeu.

E concluiu: “O objetivo é chegar à população portuguesa com as decisões mais apropriadas a si e ao seu contexto.”



A reunião do 3.º aniversário do Stent For Life contou, também, com a presença de Rui Ferreira, diretor do Programa Nacional para as Doenças Cerebrocardiovasculares, Zuzana Kaifoszova, Stent For Life project manager Europe, Manuel Villaverde Cabral, investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, José Carlos Malato, apresentador de televisão, Pedro Pita Barros, professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, Adalberto Campos Fernandes, professor auxiliar convidado da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa, Sofia de Mello, Stent For Life project manager Portugal, e Francisco Marcão, médico do INEM, em representação de Fernando Leal da Costa, secretário de Estado adjunto do Ministério da Saúde.




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