Portugal vai organizar o Congresso Europeu de Gestores Hospitalares

“Inovar em Saúde Pública: Redefinir o papel dos hospitais” é o tema do 27.º Congresso da Associação Europeia de Gestores Hospitalares (EAHM - European Association of Hospital Managers), que decorrerá em 2018, de 26 a 28 de setembro. A Comissão Organizadora Local é presidida por Victor Herdeiro, vice-presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH).



A organização do Congresso está a cargo da APAH, presidida por Alexandre Lourenço. Em entrevista à Just News, o responsável refere que, na reunião, será discutido o papel dos hospitais enquanto prestadores de cuidados de saúde e agentes de saúde pública e abordados modelos inovadores de prestação de cuidados e de gestão que estão em “constante evolução”.

"Reinventar a forma como prestamos cuidados"

“É essencial garantir novas soluções que permitam cuidados mais centrados no doente e uma maior integração de cuidados com os outros prestadores de cuidados de saúde e também do setor social. Sabemos que um hospital isoladamente não é capaz de responder às necessidades dos doentes e das suas famílias. Daí a necessidade em estabelecer novas parcerias que permitam a continuidade de cuidados ao longo do ciclo de vida”, aponta Alexandre Lourenço.

Por outro lado, acrescenta, “é preciso reinventar a forma como prestamos cuidados, garantindo uma gestão em saúde de base populacional, em que os hospitais têm uma co-responsabilidade perante a saúde da população que reside na sua área de influência. Este é um caminho para assegurar a sustentabilidade financeira do setor”.


Victor Herdeiro e Alexandre Lourenço com Gerry O´Dwyer, presidente da Associação Europeia de Gestores Hospitalares.

Necessidade de “uma mais rápida transformação na gestão dos hospitais”

Por sua vez, Victor Herdeiro, presidente da Comissão Organizadora Local, salienta que “o rápido envelhecimento da população é um fenómeno que apenas vem exigir uma mais rápida transformação na gestão dos hospitais, seja no sentido de trabalharem cada vez mais em rede com outros hospitais e com outros atores sociais, seja no sentido de se organizarem mais em função das patologias, pondo, assim, de facto, o doente e as suas reais necessidades no centro da prestação de cuidados”.

De acordo com o vice-presidente do Subcomité de Assuntos Europeus da EAHM, a questão do envelhecimento demográfico "convoca hospitais e cuidados primários a trabalharem de forma verdadeiramente integrada, no sentido da promoção da desospitalização mas também na construção de uma visão holística da pessoa doente".


Victor Herdeiro é, atualmente, o presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde de Matosinhos (ULSM).

"Ora, esta visão só é possível, em minha opinião, ouvindo os nossos utentes/doentes e perceber quais as suas reais necessidades. Importa pois, que os sistemas de saúde, hospitais incluídos, se adaptem a estas novas realidades. Qual será o papel dos hospitais daqui a 10, 20, 30 anos?”, acrescenta.

Portugal ganha concurso após 2 anos de negociações

Segundo Victor Herdeiro, as negociações para a realização do evento em Portugal decorreram durante cerca de dois anos. “Existem sempre vários candidatos e o Board da EAHM tem-se tornado cada vez mais exigente”, refere.

Esta é a terceira vez que a APAH organiza este congresso, que tem uma periodicidade bienal. A primeira foi em 1984 e teve lugar na cidade do Porto e a segunda em 1999, tendo sido Lisboa o local eleito para a realização do mesmo.

São esperados mais de 500 gestores e diretores de hospitais de mais de 25 países da Europa.


Direção da APAH.

Fortalecer os laços com os países da CPLP

Paralelamente a este evento, a equipa da APAH está empenhada em organizar o 1.º Encontro das associações congéneres do espaço lusófono. O objetivo é, segundo Alexandre Lourenço, “fortalecer os laços com os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)”.

 “Temos um papel importante a nível do espaço Atlântico e daí trazermos os colegas dos países da CPLP para este evento. Acreditamos que a experiência portuguesa e de outros países pode ser importante para fazer evoluir a qualidade dos cuidados nos países de expressão portuguesa”, indica Alexandre Lourenço.



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