Promover a interajuda no Dia Mundial da Hipertensão: «Os colegas podem ser nossos aliados»

Para Rosa de Pinho, presidente da Sociedade Portuguesa de Hipertensão, o Dia Mundial da HTA, que se celebra esta 6.ª feira, é uma ótima oportunidade não só para sensibilizar os doentes, como também os profissionais, para essa problemática. Na verdade, considera que a atuação dos enfermeiros, farmacêuticos e demais especialistas "é fundamental para o controlo da HTA".

“O facto de os doentes não estarem tão controlados como desejamos deve-se, desde logo, à sua não adesão à terapêutica, ao deixarem de tomar a medicação ou até mesmo de comprá-la, porque a HTA não dói. Por outro lado, da parte dos profissionais, existe ainda alguma inércia relativa a este assunto, quer pela falta de sensibilização para ele, quer por desculparem as justificações do doente pelos valores medidos no consultório”, começa por referir Rosa de Pinho, que coordena também a USF Vale do Vouga.

Na sua prática clínica, a médica ouve regularmente dos utentes justificações diversas para terem a sua tensão arterial descontrolada, “seja porque esperou muito para a consulta, ou porque se chateou com alguém no dia anterior, ou ainda porque a comida da refeição anterior estava um bocadinho salgada, que não é costume.” No seu entender, “não se deve facilitar tanto, sendo necessária uma atitude mais proativa”.


Rosa de Pinho

Neste contexto, a presidente da SPH realça como “os outros profissionais de saúde podem ser nossos aliados, podendo-se alternar as intervenções”. Como exemplifica, “podemos pedir ao doente para, uns dias depois, ir ter com o seu enfermeiro ou farmacêutico para medir novamente a tensão, para nos certificarmos de que aquela medição elevada foi uma situação pontual”.

Além disso, “se o farmacêutico verificar que o doente não está a comprar a medicação para a HTA, pode questioná-lo sobre o motivo e se tem avaliado as suas tensões, e até sugerir-lhe fazê-lo nesse momento”. Apesar de reconhecer que esse tipo de intervenção pode ser utópica, a médica de família considera que “já começa a haver farmácias com esta atitude mais proativa”.

Rosa de Pinho defende que, “se todos contribuírem um bocadinho, as melhorias começam a surgir” e destaca que, “com o trabalho da SPH através da Missão 70/26, é notório um maior interesse dos profissionais de saúde nesta área”. Adicionalmente, têm sido realizadas várias formações de HTA e RCVG online, “desde a mais essencial, passando por outras com questões mais dirigidas a técnicas de medição, até às mais diferenciadas para quem faz consulta de HTA, dirigidas a diferentes grupos profissionais”.



Uma semana de vários momentos de sensibilização para o controlo da PA

Enquadrado no projeto da Missão 70/26, esta 6.ª feira, data em que se assinala o Dia Mundial da HTA, a SPH vai ter um conjunto de profissionais numa carrinha, junto ao Mercado de Alvalade, em Lisboa, onde a população poderá dirigir-se para fazer o rastreio da HTA. Durante o dia, haverá ainda tempo para algumas ações de sensibilização para esta problemática, junto da população local.

Nesse dia, também haverá alguns parceiros representados, junto da carrinha, como a Salicórnia e a Aromáticas Vivas. Durante o mês de maio, serão ainda realizados rastreios noutros pontos de país, nomeadamente em Braga, Cova da Beira, Aveiro, Santa Maria da Feira e Santarém.

Durante esta semana, serão transmitidos vários vídeos de sensibilização nas redes sociais da SPH, que contam com a participação de vários colegas e parceiros, e abordam várias questões, “desde a medição da pressão arterial, o risco cardiovascular global, a influência da HTA no campo sexual, entre outros”.

Mais uma vez, este ano, a SPH irá associar-se ao May Measurement Month, uma campanha promovida pela Sociedade Internacional de Hipertensão, que “irá basear-se na promoção de rastreios essencialmente por algumas farmácias aderentes, com o registo dos resultados numa base da dados, para se construir uma estatística portuguesa”.

Rosa de Pinho considera que, “por ser o mês do coração, maio corresponde a uma boa altura para abordar a hipertensão, pela maior sensibilidade para este tema”. E nota que, “se, por um lado, no verão, as pessoas poderão ficar mais esquecidas quanto à toma da medicação, por outro, com o sol, ficam mais animadas, revelando-se uma boa oportunidade para trabalhar a sua motivação e estimulá-las a fazer exercício físico”.


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