Ginecologia e Obstetrícia: médicos preocupados com «muitos rastreios que não se realizaram»

O tema dos rastreios em Ginecologia e Obstetrícia, “desde logo, por ser amplo e transversal a todos os anos da especialidade”, esteve em grande destaque no XII Encontro Nacional de Médicos do Internato de Ginecologia e Obstetrícia (EMIGO), que decorreu no final de janeiro, em Óbidos.

Em declarações à Just News, Marta Moreira, presidente da The Portuguese Network of Trainees in Obstetrics and Gynaecology (PoNTOG), explica que o programa da reunião foi mesmo estruturado de forma a que os rastreios estivessem no foco do debate.



Assim, as quatro sessões do XII EMIGO permitiram aos médicos internos compreender melhor a situação atual de vários tipos de rastreios, "desde os massificados até aos discutíveis”, e o trabalho que há a fazer daqui em diante, já que, "com a pandemia, temos uma preocupação crescente, porque muitos rastreios acabaram por ficar por realizar”.

A iniciativa contemplou a abordagem de rastreios de diferentes áreas: pré-eclâmpsia, aneuploidias, restrição de crescimento fetal, parto pré-termo, cancro da mama, colo do útero, cancro do endométrio e cancro do ovário.

Marta Moreira

Diogo Ayres de Campos, presidente da Federação das Sociedades Portuguesas de Obstetrícia e Ginecologia (FSPOG), salienta que a questão dos rastreios “foi um tema proposto pelos próprios internos, que se empenharam a fundo para ter todo o destaque necessário junto dos participantes”.

O médico considera que esta preocupação está perfeitamente enquadrada com o propósito dos EMIGO, que "devem servir para uma melhoria da especialidade e um aumento da autonomia dos internos na gestão deste tipo de iniciativas".

Recorda também que, por outro lado, “nos rastreios há sempre um custo-benefício e importa os internos terem estes equilíbrios bem definidos”.


"Um regresso aos congressos presenciais"

A última edição deste encontro ocorreu em 2019. O XII EMIGO não foi mais cedo devido à pandemia e para não coincidir com o Congresso da FSPOG, realizado em novembro de 2021.

“Já tínhamos muitas saudades, por isso, foi muito bom. Foi um marcar do regresso aos congressos presenciais, porque até agora tem havido sempre uma componente mista e, neste caso, foi só mesmo presencial”, lembra a especialista.

 

Respeito pelas grávidas

O programa contemplou a organização de uma mesa dinamizada com o Colégio de Ginecologia e Obstetrícia da Ordem dos Médicos, onde intervieram João Bernardes, presidente do Colégio, e Fernanda Águas, diretora do Serviço de Ginecologia do CHUC, além de Marta Moreira.

Além do novo programa de formação para os internos, assim como a nova forma de avaliação, os oradores analisaram aspetos relacionados com a denominada “violência obstétrica”.

No seu entender, o foco deve estar no respeito pelas grávidas e pelos profissionais de saúde, algo que Diogo Ayres de Campos diz ser essencial: “A Obstetrícia nacional tem que ter noção de que a “violência obstétrica”, embora não seja um problema generalizado, é um importante.” Por outro lado, refere também que “ninguém vive uma experiência de parto positiva se o desfecho materno ou fetal for adverso”.

E, precisamente, alertando para a "violência que é a falta de cuidados", a presidente da PoNTOG sublinha que "a mortalidade materna e fetal tem vindo a diminuir muito em Portugal”.

Maria Liz Coelho, Margarida Cal, Helena Fachada, Marta Moreira, Sara Nunes e Diogo Ayres de Campos

“Os cursos pós-congresso esgotaram logo!”

Fazendo um balanço deste encontro, Marta Moreira refere que "a adesão foi enorme, tivemos mais de uma centena de inscrições e a sala esteve sempre cheia. Os internos puderam tirar as suas dúvidas, de forma dinâmica, em relação a essas temáticas. Houve uma parte de exposição, mas depois fizemos a discussão e a participação foi bidirecional".

Embora não tenha sentido grandes alterações na submissão de trabalhos relativamente ao EMIGO anterior, a médica interna afirma ser “muito bom ter a mesma participação pós-pandemia, porque as pessoas acabaram por ter alguma dificuldade em apresentar trabalhos durante os últimos dois anos”.

Na sua opinião, os cursos pós-congresso, "que esgotaram logo", são um sinal evidente do sucesso crescente do EMIGO.

Relativamente aos efeitos da pandemia, Marta Moreira esclarece que os médicos internos de Ginecologia e Obstetrícia foram afetados, sobretudo, nos estágios opcionais, que possibilitam idas para o estrangeiro. A pandemia alterou a estratégia do plano de formação da maioria dos internos, principalmente daqueles que estavam em anos de realizar estágios opcionais. 

Como habitualmente, a organização do EMIGO teve o apoio científico da FSPOG e das próprias sociedades científicas que a integram: Sociedade Portuguesa de Ginecologia, Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução e Sociedade Portuguesa de Menopausa e Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno Fetal.

Devido à pandemia, o mandato de Marta Moreira, que começou em 2020, foi estendido mais um ano. Em janeiro de 2023, no XIII EMIGO, haverá uma Assembleia-Geral, onde será eleito o novo executivo da PoNTOG.

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