Referenciação para o Instituto Português de Reumatologia implica «menos custos para o SNS»

A situação financeira do Instituto Português de Reumatologia (IPR) não é das melhores, mas os seus profissionais não vão desistir. Quem o garante é José Vaz Patto, presidente da instituição, que diz não entender a diminuição, desde 2012, das unidades que podem referenciar doentes para o IPR.

Em entrevista à Just News, publicada no Jornal Médico de janeiro, o responsável menciona existir “uma sistemática redução anual” do valor dos acordos de cooperação com a ARS de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), “o que coloca o Instituto no limite da sobrevivência financeira”.

José Vaz Patto diz não compreender a razão para esta tomada de decisão. “Os utentes estão a ser encaminhados para os hospitais, onde faltam reumatologistas e as listas de espera são grandes.” E continua:

“Existindo uma maior abertura para referenciar para o IPR, os utentes têm melhor acesso a consultas diferenciadas, a custo mais baixo do que no Serviço Nacional de Saúde (SNS).”

As vantagens de se dar mais atenção ao trabalho desenvolvido no IPR passam, sobretudo, por se ter uma equipa de profissionais especializados e pela existência de consultas específicas. “No Instituto temos, por exemplo, as consultas de Behçet, de Síndrome de Sjögren e de síndrome de Raynaud/Esclerodermia, entre outras. As pessoas encontram resposta para as várias patologias reumáticas, nomeadamente as mais raras, que podem levar anos a ser descobertas.”



As mais-valias não se ficam pelas consultas para doenças específicas. “O IPR é a única instituição com abordagem verdadeiramente multidisciplinar ao doente reumático, desde a prevenção até aos ensaios de medicamentos inovadores. Depois, temos a experiência acumulada ao longo de 67 anos da sua existência, a aposta na reabilitação especializada em doenças reumáticas, a intervenção multidisciplinar nos campos da Cardiologia Preventiva, da Psicologia e da Nutrição, entre outras.”

E o presidente do IPR não se fica por aqui. “A superespecialização nalgumas doenças do foro reumático, raras, transformam o IPR numa instituição ímpar, sem paralelo em Portugal e com poucas que se assemelhem no resto do mundo!”

A diferenciação do IPR não põe em causa o trabalho dos colegas dos serviços de Reumatologia dos hospitais, apenas demonstra que há mais vantagens em englobar o Instituto na oferta aos utentes. “Não estamos contra o trabalho dos nossos colegas, apenas salientamos que se deve dar mais atenção ao IPR, que sempre prestou um serviço de qualidade e que podemos ajudar a dar resposta às necessidades da população.”

A redução anual dos valores dos acordos de cooperação com a ARSLVT também não faz sentido. Para José Vaz Patto, não se trata apenas de uma questão de sobrevivência do IPR, mas também de não se dar a melhor resposta às doenças reumáticas. “Há cada vez mais pessoas com patologia reumática, algumas bastante dolorosas e incapacitantes, por isso, não percebo esta redução.”

No entender do responsável do IPR, a aposta no Instituto permite tratar com menos custos diretos e minimizar também os indiretos. “Quanto mais cedo se der uma boa resposta às pessoas mais facilmente se diminui os dias de (re) internamento, as baixas médicas, as reformas por incapacidade, os tratamentos mais caros.”



A entrevista completa com José Vaz Patto pode ser lida no Jornal Médico de janeiro. O presidente do IPR desenvolve estes e outros temas relacionados, nomeadamente, com a "desvalorização" das doenças reumáticas, o facto dos doentes serem estigmatizados, inclusive por "alguns profissionais de saúde" ou a importância dada pelo IPR à formação de médicos de MGF e de outras especialidades.

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