Mais dois ginecologistas portugueses recebem diploma europeu do EBCOG

Os ginecologistas Pedro Brandão e Pedro Figueiredo foram reconhecidos como fellows do European Board and College of Obstetrics and Gynaecology (EBCOG).  O diploma foi entregue no último Congresso da European Network of Trainees in Obstetrics and Gynaecology (ENTOG), que decorreu o mês passado.


Cerimónia de entrega dos certificados do Exame Europeu de Ginecologia e Obstetrícia (EFOG) em Varsóvia, na Polónia

Os médicos juntam-se, assim, a Emídio Vale Fernandes, o primeiro médico especialista em Ginecologia/Obstetrícia português que obteve o grau conferido pelo EBCOG, em 2016, ano em que a prova se realizou pela primeira vez.

Em declarações à Just News, os médicos agora distinguidos com o título explicam que o exame se divide em duas partes, uma teórica e a outra prática. A primeira parte foi feita em Bruxelas e a segunda em Amesterdão.

De acordo com os especialistas, a parte teórica, que tem a duração de 6 horas (3 horas para a Ginecologia e 3 horas para a Obstetrícia), é composta por vários modelos de perguntas que versam, de modo uniforme, as várias áreas de Ginecologia e Obstetrícia. Contempla um conjunto de “single best answers”, em que se escolhe a melhor de várias.

Há depois um enunciado com um problema clínico em que é necessário escolher a hipótese mais adequada (por vezes, há várias corretas). Existe depois uma secção com questões de escolha múltipla.



“A ideia deste exame será ser algo universal europeu, não só para facilitar a movimentação dos especialistas dentro da Europa, mas também de pessoas do resto do mundo, que queiram mostrar que têm aptidões, competências reconhecidas na europa”, conta Pedro Brandão.

O médico do Centro Hospitalar Tâmega e Sousa (CHTS) de 32 anos, que vai começar a trabalhar no Hospital da Senhora da Oliveira (Guimarães), em agosto, acrescenta que "a maioria dos candidatos neste momento não pertence à Europa".

Pedro Brandão, que é presidente da Portuguese Network of Trainees in Obstetrics and Gynaecology (PoNTOG), salienta ainda a relevância de "informar e estimular os internos a realizarem este exame".


Pedro Figueiredo e Pedro Brandão

Quanto à exigência da prova, Pedro Figueiredo admite que o exame tem um grau de dificuldade elevado, mas, na sua opinião, “vale a pena”.

“Primeiro temos de ter aprovação no exame teórico e só é válido três anos se não tivermos aprovação no prático a seguir”, explica o especialista em Obstetrícia e Ginecologia do Centro Hospitalar Póvoa de Varzim, que completou 34 anos em janeiro

Por sua vez, a parte prática tem a duração de duas horas e é composta por 10 estações de simulações.



Exame estabelece “um ponto de referência da qualidade em saúde”

Como atrás foi referido, Emídio Vale Fernandes foi o primeiro médico português a realizar o exame, em 2016. Fez a primeira parte em Turim e a segunda no Reino Unido.

Para o assistente hospitalar do Centro de Procriação Medicamente Assistida/Banco Público de Gâmetas do Centro Materno-Infantil do Norte, o título estabelece “um ponto de referência da qualidade em saúde” e facilita a mobilidade dos especialistas a nível internacional.

“O título de fellow é atribuído após a realização de exigentes provas públicas, selecionando os médicos especialistas que demonstrem conhecimento e capacidade técnica e científica de acordo com os padrões de qualidade exigidos pelo Colégio Europeu”, destaca Emídio Vale Fernandes, que é aluno de Doutoramento do Programa Doutoral em Ciências Médicas do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar.

“Tendo eu terminado a especialidade em Portugal, decidi submeter-me a este Exame Europeu, consciente da responsabilidade. Era o primeiro português a fazê-lo e havia ‘muitos olhos’ em Portugal a apreciar a minha decisão", recorda o médico.

E acrescenta: "Foi com grande orgulho que todos recebemos o resultado das classificações finais dessa que foi a primeira avaliação europeia em 2016 e, naturalmente, foi com grande alegria que recebi esse reconhecimento."


Emídio Vale Fernandes

O médico de 35 anos, natural da freguesia de Lanheses, concelho e distrito de Viana do Castelo, é um “forte defensor da validação de competências, da valorização curricular pelo mérito reconhecido, da progressão na carreira por concursos públicos", pelo que, na sua opinião, "o caminho natural seria realizar também esta avaliação".

Emídio Vale Fernandes acredita que essa sua decisão terá contribuído para "abrir portas a que outros colegas portugueses também o fizessem, de forma segura e convicta, afirmando a qualidade e o nível de excelência que representa o Internato Médico em Portugal".

O exame de 2019 ainda está em curso. A primeira parte teve lugar em Varsóvia e a segunda vai realizar-se em Lisboa, a 16 de novembro.


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