Saúde cardiovascular: portugueses com «menor acessibilidade» aos tratamentos

O declínio do número de mortes causadas por doenças cardiovasculares, que se verifica desde há vários anos, pode ter sido comprometido devido à crise e às suas implicações, adverte Fernando Pinto, assistente graduado de Cardiologia do Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga.

“Temo e vejo com muita preocupação as dificuldades acrescidas que a crise trouxe à população", afirma o antigo presidente da Sociedade Portuguesa de Hipertensão, sublinhando que os dados mais recentes da Direção-Geral da Saúde apontam para "uma inversão do decréscimo que existia na mortalidade cardiovascular".



Em declarações à Just News, o especialista refere que, "possivelmente, os dados surgem já como consequência da crise económica e da menor acessibilidade dos doentes aos cuidados de saúde e respetivos tratamentos".

Fernando Pinto considera imprescindível que "se continuem a dar passos na direção certa e que não se abrande a luta contra as causas da mortalidade cardiovascular", acrescentando que há dados epidemiológicos que mostram que "continua a aumentar o excesso de peso e a obesidade na nossa população, assim como a prevalência da diabetes".

Na sua opinião, "esta evolução está a contribuir para o aumento de hipertensão e arrisco-me a dizer que, se repetíssemos o estudo PHYSA, os dados seriam certamente piores".

CUF São João da Madeira é o novo desafio do médico

Fernando Pinto assumiu recentemente os cargos de coordenador de Cardiologia da CUF São João da Madeira e de diretor clínico da unidade, que abriu portas há poucos dias.

Questionado sobre o impacto deste novo desafio, o cardiologista fala num projeto “novo e ambicioso” e explica que o facto de ter passado pela SPH e de desde há vários anos exercer clínica privada naquela zona foram as razões para o convite do grupo José de Mello Saúde.



Referindo que as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em Portugal, "sendo responsáveis por 30% da mortalidade e por uma elevada taxa de morbilidade", o cardiologista faz questão de afirmar que “não pode haver qualquer clínica desta dimensão que deixe de privilegiar essa área".

Fernando Pinto esclarece que o novo espaço do grupo assume essa "forte vocação para a Cardiologia", que tem como ponto forte a ligação à unidade do grupo localizada no Porto: “Aqui, vamos ter todos os exames complementares não invasivos e temos a vantagem significativa de estarmos perto do Hospital CUF do Porto, onde podemos complementar com os exames invasivos: hemodinâmica, eletrofisiologia, pacing e, inclusive, cirurgia cardíaca.”



Com grande experiência no sector público e privado, o cardiologista salienta os méritos deste tipo de estrutura e rejeita que haja uma lógica concorrencial face às unidades públicas, preferindo antes considerar que existe uma lógica de complementaridade.

“As unidades públicas têm uma missão muito específica, tendo de assegurar a toda a população, em condições de equidade, o acesso aos cuidados de saúde. Já as unidades privadas permitem alguma excelência nas condições físicas das instalações, oferecendo a possibilidade de um atendimento mais personalizado e otimizado do ponto de vista logístico”, conclui Fernando Pinto.

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