Simulação em Ginecologia/Obstetrícia: CH Tondela Viseu organiza programa multidisciplinar

Privilegiando a formação dos seus profissionais, o Serviço de Ginecologia/Obstetrícia do Centro Hospitalar Tondela-Viseu já iniciou o segundo programa de simulação, dirigido aos seus internos. Esta vertente formativa conta com várias sessões ministradas por especialistas de Anestesiologia, Pediatria e Cirurgia Geral.

“Temos como princípio melhorar os cuidados que prestamos, em termos de qualidade e segurança, e oferecer uma base sólida aos nossos internos”, começa por referir Nuno Nogueira Martins, coordenador da Unidade de Oncologia Ginecológica do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Centro Hospitalar Tondela-Viseu.



Oferecendo formação pós-graduada não só aos internos do Serviço, como também aos futuros especialistas do 5.º ano de outros hospitais, e ainda a internos de outras especialidades, a vertente formativa divide-se entre a disponibilização de um conjunto de normas de orientação clínica e de um programa de simulação.


O primeiro consiste num livro que “tem por base as guidelines internacionais adaptadas ao cenário local e às condicionantes do Serviço”, e se encontra agora na sua segunda edição. Já o segundo investimento formativo consiste num programa bianual gratuito, iniciado em janeiro de 2017, que disponibiliza sessões mensais ou bimensais dirigidas aos internos da especialidade do Serviço.


Nuno Nogueira Martins

Ministrado não só pelos ginecologistas e obstetras do Serviço, mas também por um grupo de especialistas de outras áreas, Nuno Nogueira Martins explica que “esta multidisciplinaridade permite completar o programa com atuações não puramente ginecológicas ou obstétricas, mas que abrangem também o contexto de trauma na gravidez, com a Cirurgia Geral, o suporte básico de vida, com a Anestesiologia, ou a ressuscitação neonatal, com a Pediatria”.


O princípio, explica, é “dotar os internos das ferramentas necessárias para fornecerem a melhor intervenção até conseguirem ajuda mais personalizada”.



Além das três sessões apresentadas por estas três especialidades, as restantes são exclusivamente do foro ginecológico e obstétrico, relativas a áreas como o parto, a laparoscopia ou a sutura laparoscópica, recorrendo a vários modelos.


No caso da Ginecologia, o especialista, que é também secretário-geral do European Board & College of Obstetrics and Gynaecology, considera que “a importância da simulação será ainda maior, em parte devido a um incremento nas necessidades formativas relacionado com a diminuição da natalidade, o aumento do número de formandos e o previsível aumento da litigância entre outros, mas também por situações de exposição mais limitada, como foi o caso da recente pandemia”.



No dia em que a Just News assistiu a uma destas sessões, em abril, era a vez de a Anestesiologia ministrar, praticando-se exercícios como a reanimação em cenário de paragem cardiorrespiratória, com abordagem da via aérea ou recorrendo a massagem cardíaca. Na opinião do profissional, esta colaboração multidisciplinar também é vantajosa no sentido da “aproximação das equipas de Ginecologia/Obstetrícia com as especialidades que nos circundam no dia-a-dia”.


Este é já o segundo programa de simulação realizado pelo Serviço, após o primeiro ciclo (2017-2019) ter sido “muito válido na aquisição de capacidades, promovendo que os futuros especialistas treinem primeiro em modelos antes de lidarem com os casos reais”. Após um período de interregno por ocasião da pandemia, janeiro deste ano marcou o arranque deste novo ciclo, que conta com um limite máximo de 10 participantes do Serviço.



Estas manhãs de formação mensais iniciam-se com um teste escrito aos conhecimentos teóricos prévios dos internos, segue-se uma apresentação teórica e depois a atuação nas estações práticas, terminando com um inquérito de satisfação e o fornecimento do retorno na atuação de cada participante pelos tutores.


 

 

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