Só cerca de metade dos casais com problemas de esterilidade recorre a ajuda médica

O alerta é de Ana Teresa Almeida Santos, presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução (SPMR). Em entrevista ao Jornal Médico, a responsável adianta que “a importância crescente da infertilidade nos países desenvolvidos deve-se, entre outras coisas, ao desenvolvimento socioeconómico e à melhoria dos cuidados de saúde, que resultam numa população envelhecida e na decisão de protelar a decisão de constituir família”.

Segundo a presidente da SPMR, a perspetiva de poder aumentar as taxas de natalidade graças ao tratamento da infertilidade com técnicas de produção medicamente assistida (PMA) tem vindo a ser equacionada como uma das formas de combater a tendência para o envelhecimento populacional, a par com outras medidas de caráter social e económico.

“A aceitação pela população das técnicas de PMA condiciona a procura das mesmas. O conhecimento e a aceitação dos riscos e benefícios inerentes a estes tratamentos, assim como a sua disponibilização pelo SNS, devem ser amplamente divulgados, no sentido de permitir uma livre escolha pelos casais”, afirma.

No entanto, Ana Teresa Almeida refere ser importante ter consciência que as técnicas de PMA não são uma alternativa à procriação normal, nem podem reverter a diminuição da fecundidade, que se verifica inexoravelmente com a idade da mulher. Além disso, “não devem ainda subestimar-se os riscos inerentes a uma gravidez tardia, desde a maior incidência de baixo peso, prematuridade, abortamentos e anomalias cromossómicas, particularmente a trissomia 21 ou a síndrome de Down”.

Por outro lado, “acrescem ainda as complicações obstétricas, como a diabetes gestacional, hipertensão, placenta prévia, partos instrumentados e mortalidade materna, todos mais frequentes nas grávidas mais velhas. Adicionalmente, “a idade da mulher permanece o fator mais importante na taxa de êxito das técnicas de PMA”.

“A investigação da causa de uma situação de esterilidade obedece a regras e deve ser efetuada sempre depois de se explicar ao casal o que se pretende obter com cada exame e o que vai ser feito para conseguir o necessário consentimento e evitar angústias desnecessárias motivadas pelo desconhecimento do que se vai passar ou pela recordação de relatos muitas vezes fantasiados de amigos ou cibernautas”, salienta a presidente da SPMR.

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