Sociedade Portuguesa de Cardiologia comemora aniversário: "65 anos de história e de excelência"

A Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) realizou hoje à tarde, na Casa do Coração, em Lisboa, a Cerimónia Comemorativa do seu 65º aniversário. O evento decorreu sob o lema: "Analisar o Passado, Construir o Presente, Perspetivar o Futuro".

O presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, Siva Cardoso, começou por afirmar: “Esta celebração dos 65 anos da Sociedade Portuguesa de Cardiologia decorre em família. Mas também é de realçar os parceiros que têm estado sempre presentes: a indústria farmacêutica e de equipamentos médicos."

Foi salientado por Silva Cardoso que "todo o trabalho das várias equipas da SPC ao longo das décadas não poderia, em boa verdade, conhecer a sua expressão efetiva se não tivesse havido o apoio mecenático da indústria farmacêutica. Esta celebração visa, acima de tudo, refletir coletivamente sobre quem somos, quais as nossas raízes e para onde nos dirigimos. Toda esta reflexão é feita no contexto nacional, de onde não nos desligamos, porque, estatutariamente, é um dos nossos primeiros mandatos: estamos ligados à saúde cardiovascular da população portuguesa."

O presidente da SPC recordou ainda que "Portugal, efetivamente, neste momento, atravessa uma das maiores crises da sua história. Isto, porque a sua independência real está posta em causa. Neste contexto de desânimo, há pontos de excelência e focos de esperança. A medicina portuguesa tem o 11º melhor Serviço Nacional de Saúde do mundo e, nessa perspetiva, temos motivos para nos orgulharmos. Dentro da medicina, a cardiologia destaca-se e a SPC é a sociedade cientifica que agrega inúmeros especialistas e tem, efetivamente, 65 anos de história e de excelência."

Miguel Mendes, presidente eleito da SPC, analisou o estado de saúde da SPC na sua intervenção: "Ao olhar para este ´organismo` (SPC) que agora atinge os 65 anos, parece-me que está de boa saúde. Tem um bom ADN, uma boa estrutura e, até ao momento, não manifestou nenhuma doença grave. Portanto, acredito que vamos ter um bom futuro, porque continuamos credíveis, somos financeiramente independentes, também temos vindo a acompanhar todos os grandes desafios tecnológicos que o tempo nos colocou e estamos razoavelmente bem relacionados. E, por fim, mantemos, aos 65 anos, a nossa capacidade de pensar e atuar por nós próprios."

O presidente eleito da SPC acrescentou ainda: "Temos plena noção de que o tempo florescente da indústria e investigação na área cardiológica foi, nas últimas duas décadas, e, provavelmente, não vai voltar a ocorrer nos próximos anos. Admito que talvez possa voltar, mas noutro paradigma. Em termos políticos, também ainda não somos encarados como parceiros e, nessa perspetiva, é importante reforçar as relações."

Relativamente ao futuro, considera que "vai ser, seguramente, de afirmação e, assim sendo, necessitamos de nos afirmar como parceiros científicos e organizativos na área cardiovascular em Portugal, sendo reconhecidos pelo Ministério da Saúde, pelo Governo e pelas Direções Gerais. Apesar de algumas limitações, penso que o futuro será risonho."

Em declarações à Just News, Fausto Pinto, presidente eleito da Sociedade Europeia de Cardiologia (European Society of Cardiology - ESC), destacou o facto da Sociedade Portuguesa de Cardiologia ser, "possivelmente, uma das maiores sociedades científicas a nível nacional. Representa uma das áreas que tem mais peso em termos de mortalidade e morbilidade dos portugueses e da população mundial."

Na opinião de Fausto Pinto, ao longo dos anos a SPC "tem tido um papel extremamente ativo, porque tem vindo a alertar para a relevância das doenças cardiovasculares", acrescentando: "Penso que, neste ponto, também é muito importante fortalecer a relação com os decisores uma vez que, decisores informados de uma forma correcta, podem tomar melhores decisões. A SPC tem assegurado este papel e julgo que o irá continuar a fazer. É de realçar que a SPC, que também está integrada na Sociedade Europeia de Cardiologia, tem aí um grande peso."

De forma geral, explica o presidente eleito da ESC, "o que se pretende é, por um lado, reduzir o peso global das doenças cardiovasculares e, por outro lado, promover a saúde, estimulando a adoção de estilos de vida saudáveis".

Neste dia em que foram assinalados os 65 anos de atividades e dinamismo da SPC, a secretária-geral da Sociedade, Susana Martins, salientou as principais vertentes que norteiam esta sociedade científica: "Estes 65 anos têm sido marcados por 4 vetores essenciais de atuação: a formação, a investigação, a cooperação e a intervenção social e política".



No final da Cerimónia Comemorativa do 65º aniversário,
cerca de uma centena de pessoas
cantou os parabéns à
Sociedade Portuguesa de Cardiologia.


Podem ser consultadas AQUI várias dezenas de fotografias do evento.

Imprimir