Start MGF: «Apoiar os colegas com formação tendencionalmente gratuita» na região centro

Mais de duas centenas de participantes marcaram presença no III Curso Start MGF, que decorreu entre 12 e 15 de fevereiro, em Coimbra. “O feedback não podia ter sido melhor”, disse à Just News Leonor Serra, presidente da comissão organizadora e interna do 3.º ano na USF Rainha Santa Isabel, em Coimbra.

Destinado sobretudo a internos do 1.º ano de formação específica em Medicina Geral e Familiar (MGF), contou também com internos de outros anos e com recém-especialistas. “A maioria é da região centro, mas tivemos colegas de norte a sul e também da Madeira. Vieram, inclusive, duas recém-especialistas de Angola.”



Conhecendo o curso desde a primeira edição, em 2018, quando participou como interna do 1.º ano, Leonor Serra fez um balanço positivo da iniciativa. “Tem sido fundamental para a aquisição de conhecimentos. Para mim foi uma honra poder participar na organização e ajudar outros colegas de MGF.”

Entre os vários temas do programa, destacou-se uma novidade: a patologia respiratória crónica. “Nos cuidados de saúde primários (CSP) não nos deparamos apenas com a doença respiratória aguda, sobretudo no inverno e no pico da gripe, mas também com outras mais complexas, tais como a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) e a asma.”

E nestes casos, além da necessidade de se saber acompanhar o doente, é preciso interpretar os meios complementares de diagnóstico. “É o caso da espirometria, por exemplo, tendo em conta os rastreios nos CSP.”



Outras áreas abordadas durante os quatro dias do curso foram Neurologia, Hipertensão Arterial, Exame Reumatológico, Diabetes Mellitus, ORL, Nutrição, Rastreios, Dermatologia, Saúde Infantil, Psiquiatria e Prescrição de Exercício.

Mas a comissão organizadora não quis cingir-se apenas a temas do foro clínico. “Quando chegamos aos CSP deparamo-nos com muita burocracia e atrofias e não sabemos muito bem como dar resposta a questões relacionadas com baixas médicas, atestados, entre outros documentos, daí termos considerado importante dar formação neste âmbito.”

Foram ainda focados aspetos relacionados com a revisão baseada na evidência e a revisão sistemática, apresentação de pósteres e casos clínicos, desenvolvimento de uma investigação e a Medicina Baseada na Evidência. “Os internos têm de apresentar vários trabalhos ao longo do Internato e precisam de saber como os podem valorizar.”

“Um curso de internos para internos”

O objetivo do Cursos Start MGF é, desde o primeiro ano, dar resposta às muitas perguntas dos internos. “Os participantes têm a possibilidade de colmatar algumas lacunas que sentimos na formação universitária e, como é um curso de internos para internos, é mais fácil ter-se uma noção concreta das necessidades do dia-a-dia”, indicou a responsável.


Leonor Serra

Como acrescentou: “Na maioria das faculdades de Medicina, abordam-se os vários conceitos e patologias de um ponto de vista mais hospitalar e, quando chegamos ao Internato de MGF, apercebemo-nos que a realidade é um pouco diferente. O médico de família não se limita a tratar a doença, mas a ver o utente como um todo, inserido num dado contexto social e familiar.”

Esta visão mais holística e de continuidade implica algumas especificidades que, para a médica, ainda não são devidamente abordadas na maioria das faculdades. “A realidade é diferente, por isso com este tipo de formações ajudamos os internos a integrarem-se mais facilmente.”

E dá dois exemplos de como é preciso adequar a abordagem da patologia nos CSP. “No caso da Psiquiatria, o médico de família tem um papel cada vez mais importante, principalmente no tratamento e acompanhamento das perturbações da ansiedade e na depressão, nomeadamente a minor. No curso de Medicina, o foco está sobretudo no hospital.”



Mesmo nos casos em que é necessário referenciar, o médico de família pode fazer a diferença se tiver formação mais específica nesta área. “O doente continua a ser dos CSP e o conhecimento que se tem do contexto social e familiar acaba por ser também uma mais-valia para o psiquiatra.”

Outro ponto abordado no curso e que exige uma cada vez maior atenção para os internos e especialistas em MGF é a antibioterapia. “É um tema deveras importante e muito comum hoje em dia face à resistência a microorganismos.”


Elementos da Comissão Organizadora do III Curso Start MGF: Tiago Macedo, Vilson Alano, Joana Gonçalves, João Alhais, Rita Marques, Sara Pinho, Raquel Sousa, Soraia Ribeiro, Leonor Pinto Serra, Paulo André Lopes, Sara Pereira, Rafaela Ventura, Susana Miguel, Marta Cardoso e Luís Abreu

O facto de contarem, entre os palestrantes, com colegas internos da área hospitalar é outra mais-valia. “Ficamos com os contactos uns dos outros e, posteriormente, é uma maneira de podermos pedir opiniões sobre casos clínicos, estreitando assim laços entre CSP e hospital.”

Para Leonor Serra, esta aposta na formação dos internos e recém-especialistas não só contribui para a boa prática clínica como também para o papel dos internos. “É mais uma forma de dar valor ao nosso trabalho.”



E como faz questão de sublinhar: “A nossa missão é apoiar os colegas com uma formação a baixo custo, para que mais pessoas possam participar. Acreditamos que a formação médica, à semelhança da prestação de cuidados de saúde, deve ser tendencionalmente gratuita.”


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