Tratamento de doenças cardiovasculares em diabéticos: «Altera-se um paradigma de décadas»

As últimas guidelines para o tratamento e prevenção de doenças cardiovasculares em diabéticos ou pré-diabéticos sugerem que a metformina deixe de ser a primeira opção terapêutica para diabéticos com doença cardiovascular, dando-se preferência aos inibidores do SGLT2 e agonistas do recetor da GLP-1. A explicação é dada por Lino Gonçalves, diretor do Serviço de Cardiologia do CHUC, sublinhando que "altera-se, assim, um paradigma de décadas”.

As recomendações nesta área, que foram tornadas públicas a nível mundial no início de setembro, foram discutidas em outubro em Coimbra, durante a "What’s New in ESC Guidelines & More", reunião dedicada precisamente à análise das guidelines produzidas em 2019 pela Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC).


Lino Gonçalves

No que respeita à área da dislipidemia, o cardiologista indica que "as guidelines de 2019 trouxeram a importante confirmação de uma estratégia baseada na estratificação do risco e os novos alvos terapêuticos: LDL < 55 mg/dL em doentes de muito alto risco e o ambicioso novo alvo de < 40mg/dL nos doentes com eventos cardiovasculares recorrentes."

Já no que se refere ao tromboembolismo pulmonar agudo, Lino Gonçalves realça que as novas recomendações salientam “o papel das equipas de abordagem multidisciplinar aos doentes mais complexos, a utilização das técnicas percutâneas em casos selecionados e as novas indicações para tratamento de extensão com anticoagulantes orais após a tromboembolia aguda”.

Este ano também foram publicadas recomendações na taquicardia supraventricular, nas quais se salientou o papel “cada vez mais relevante da ablação no tratamento destas arritmias".



Por fim, Lino Gonçalves realça a nova definição de doença coronária estável, que passa a denominar-se “síndrome coronária crónica”. Relativamente a esta área, salienta, também, a existência de "um novo algoritmo diagnóstico com novas probabilidades de doença pré-teste e primazia da angiotomografia computadorizada coronária". E, por fim, na revascularização, o “forte suporte à fisiologia invasiva para decisão de avançar com angioplastia”.

O diretor do Serviço de Cardiologia do CHUC faz um balanço muito positivo do evento, que contou com cerca de 400 participantes, realçando a qualidade pedagógica quer das palestras, quer das discussões que surgiram dos casos clínicos apresentados.

“É de facto um enorme prazer ver as extraordinárias discussões que se formam em volta de casos do dia-a-dia, conduzidas por alguns dos maiores peritos a nível mundial nos respetivos assuntos", refere o médico.



Próxima reunião já está marcada

Esta foi a primeira edição de uma reunião organizada pela Associação de Solidariedade Social em Cardiologia (ASSeC) e pelo Serviço de Cardiologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) que, a partir de agora, passa a ter lugar em outubro.

Para além das guidelines, Lino Gonçalves admite que neste evento sejam discutidos "outros documentos que a ESC emite, nomeadamente, position papers, consensus documents, ou, ainda, outros temas de interesse para a Cardiologia atual".



A próxima reunião irá realizar-se nos dias 30 e 31 de outubro de 2020. Além dos autores das recomendações de 2020, já está confirmada a presença de Bernard Gersh, da Mayo Clinic, Gunter Breithard, da Universidade de Munster e Tom Kirchhausen, da Harvard Medical School.


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