Debate sobre a autonomia do doente respiratório crónico

A oxigenoterapia de deambulação, uma forma de oxigenoterapia que permite aumentar a autonomia e a qualidade de vida dos doentes respiratórios crónicos, é um dos temas em debate no Congresso da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, que decorre entre 6 e 8 de novembro, em Albufeira.

A oxigenoterapia de deambulação consiste na administração de oxigénio durante as actividades de vida diária, facilitada mais recentemente através de dispositivos, denominados concentradores portáteis de oxigénio. Estes equipamentos eléctricos produzem oxigénio a partir do ar ambiente e têm autonomia até 4 horas de funcionamento, podendo a bateria ser facilmente recarregada. A solução aumenta a independência e autonomia do doente respiratório crónico, promovendo a sua qualidade de vida. 

De acordo com o pneumologista João Carlos Winck, moderador da mesa redonda sobre a oxigenoterapia de deambulação “o aumento da autonomia do doente pode reflectir-se numa substancial melhoria da qualidade de vida. Os doentes ficam mais tolerantes a esforços quotidianos, como lavar-se ou subir uma escada, e podem, inclusive, retomar certas actividades que implicam deslocações, como passeios no exterior, andar de transportes públicos ou mesmo viajar de avião”.

Sobre as novas perspectivas neste tratamento, o especialista ressalta como ponto positivo a facilidade no acesso em Portugal: “hoje em dia a oxigenoterapia de deambulação está acessível, através de prescrição médica, em todo País, sendo que até há pouco tempo estava apenas disponível em algumas regiões. Por outro lado, dada a sua maior portabilidade e conveniência, estes dispositivos irão contribuir para uma melhor adesão à oxigenoterapia.”

As doenças respiratórias crónicas, como é exemplo a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), têm um grande impacto na qualidade de vida dos doentes a nível pessoal, profissional, familiar e social. Esta doença, que se caracteriza pela falta de ar, tosse e aumento da produção de expectoração, é crónica e incapacitante, impedindo as pessoas de realizar tarefas diárias comuns.

Alguns dados sobre as doenças respiratórias:
•         Em 2012 morreram por doenças respiratórias cerca de 14 mil portugueses.
•         Em Portugal, a mortalidade por doenças respiratórias constitui a terceira principal causa de morte. Estas são responsáveis por cerca de 19% dos óbitos, logo a seguir às doenças cardiovasculares e neoplasias.
•         O Relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias 2013 revela que, em apenas um ano, a mortalidade por doenças respiratórias aumentou 16,58%.
•         Estima-se que em 2020 as doenças respiratórias sejam responsáveis, no mundo, por cerca de 12 milhões de mortes anuais, atribuindo-se à DPOC mais de três milhões de óbitos. A DPOC é uma das doenças respiratórias mais comuns e que afecta cerca de 14% da população portuguesa com mais de 40 anos.

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