Tratamentos cardíacos minimamente invasivos não chegam a todos

O tratamento por técnica minimamente invasiva da estenose aórtica grave – uma doença potencialmente fatal e altamente incapacitante, que afeta um em cada 15 portugueses com mais de 80 anos – está muito longe dos padrões europeus. O alerta é do Grupo de Trabalho das Válvulas Aórticas Percutâneas da Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (Grupo VAP-APIC) da Sociedade Portuguesa de Cardiologia.

De acordo com o grupo de especialistas, a estenose aórtica é uma patologia valvular muito frequente nos países desenvolvidos, sendo sobretudo uma doença associada ao envelhecimento. A estenose aórtica caracteriza-se pelo aperto da válvula aórtica, provocando cansaço, dor no peito e desmaios. O tratamento passa por implantar uma válvula nova através de cirurgia de peito aberto ou por técnica minimamente invasiva (implante percutâneo).

De acordo com Rui Campante Teles, cardiologista de intervenção e coordenador do Grupo VAP-APIC, “estudos recentemente publicados indicam que, em Portugal, devíamos realizar quatro vezes mais procedimentos anualmente (400 em vez de 100), sendo este cálculo subvalorizado pois, numa das mais reputadas revistas médicas mundiais, o The New England Journal of Medicine, foi apresentada uma avaliação internacional que evidenciou que o tratamento da estenose aórtica grave através de técnica minimamente invasiva supera o método convencional, a substituição cirúrgica da válvula aórtica em doentes de alto risco.“

Ainda segundo o especialista, “em média, os países europeus realizam cerca de 45 implantes por ano por milhão de habitantes e Portugal está em último com apenas 11 por ano por milhão de habitantes. Na Alemanha são realizadas cerca de sete mil VAP por ano, em Espanha 800 e em Portugal apenas 110.”

O tratamento das válvulas por cateterismo  permite o implante da uma válvula cardíaca através de um pequeno tubo introduzido por uma artéria, evitando a abertura da caixa torácica e permitindo uma recuperação célere da sua autonomia e ganhos extraordinários da qualidade de vida.

Imprimir