CHTS inaugura Consulta de Artrite Reumatoide: «Vai melhorar a qualidade de vida dos doentes»

Desde 2019 que os utentes com doenças reumáticas da área de influência do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS) passaram a poder contar com a especialidade de Reumatologia neste centro hospitalar. Nessa data, foi também implementada uma referenciação externa, via AlertP1, para a recém-criada Unidade de Reumatologia.
 
“Procurei aproximar-me de muitos serviços aqui do nosso centro hospitalar, que identifiquei como potenciais referenciadores”, refere Tiago Meirinhos, citando os exemplos da Ortopedia, da Gastrenterologia e da própria Medicina Interna. Tal permitiu, segundo o médico, “não apenas a divulgação do projeto, mas também estabelecer uma ligação pessoal”.


Tiago Meirinhos

Integrado na estrutura de um hospital que, até há pouco mais de um ano, não tinha a valência de Reumatologia, aquele responsável promoveu, inclusive, sessões de esclarecimento para a comunidade médica da instituição, com o objetivo de dar a conhecer a Unidade de Reumatologia.

Ao mesmo tempo, “criámos uma linha de referenciação direta para os Cuidados de Saúde Primários (CSP)”, que progressivamente tem vindo a ser mais utilizada, muito devido a “uma aproximação constante, pelos cursos que fazemos em conjunto, pelas trocas de contactos...”.

Tiago Meirinhos reconhece a importância dos CSP, considerando que “são essenciais, uma vez que constituem a porta de entrada no SNS”, e que os Cuidados Hospitalares “devem apenas desempenhar a função de consultores”.

Curiosamente, muitas dos pedidos de consulta que a Unidade de Reumatologia recebe vêm de fora do perímetro de referenciação. Chegam de Valongo, do Porto, da Maia... São casos que, eventualmente, deveriam ser referenciados para outros centros hospitalares, mas, “pelo projeto, ou por uma questão pessoal”, é feita uma opção pelo CHTS.



Apesar das adversidades vividas nos últimos meses, motivadas pela pandemia de covid-19, Tiago Meirinhos considera que as teleconsultas realizadas até ao final de maio permitiram manter o acompanhamento dos doentes.

No entanto, o mês de junho foi vivido com alguma intensidade, procurando-se “realizar as primeiras consultas urgentes”, porque, sendo a Reumatologia “uma especialidade sistémica, que se dedica às doenças musculoesqueléticas, a história clínica e o exame físico assumem uma preponderância que não é atingível nas consultas por via telefónica”.

Para o coordenador da Unidade de Reumatologia, “não faz sentido existirem hospitais que não tenham esta especialidade”.

“A Reumatologia tem um papel a dizer na discussão e seguimento dos doentes e, acima de tudo, no fator qualitativo”, aponta Tiago Meirinhos, que não tem dúvidas de que “a intervenção na qualidade de vida é o futuro”.

Grandes patologias merecerão consultas dedicadas

Caracterizada por Tiago Meirinhos como uma “consulta diferenciada, com protocolos de atuação específicos e um enfermeiro próprio”, a Consulta de Artrite Reumatoide é coordenada por João Lagoas Gomes, 34 anos, que chegou ao Hospital Padre Américo em março.

“Se há quem acredite que a especialidade já é suficientemente focada para se subdividir ainda mais, também há quem pense o contrário, reclamando que devem existir consultas dedicadas às grandes patologias dentro da especialidade”, começa por contextualizar o coordenador da consulta, afirmando partilhar esta opinião com Tiago Meirinhos.

“Identificámos uma necessidade que não estava a ser respondida dentro da população que o hospital serve”, revela João Lagoas Gomes. E explica que uma consulta totalmente dedicada à artrite reumatoide permite “aperfeiçoar o conhecimento da doença, através da criação de cohorts prospetivas, incrementar a dedicação de outros profissionais de saúde à patologia e, acima de tudo, melhorar a qualidade de vida dos doentes”.



Foi o seu gosto por esta patologia e a possibilidade de poder participar num projeto praticamente desde o seu início que levaram o recém-especialista a entusiasmar-se com a ideia de integrar o quadro de pessoal do CHTS um ano após a conclusão da sua formação específica, que fez no Centro Hospitalar Lisboa Ocidental.

João Lagoas Gomes assinou contrato com o CHTS exatamente a três dias de ser decretado o estado de emergência. Acabou a voluntariar-se para acompanhar os doentes covid-19 positivos. Recorda que foi “uma experiência distópica, em que a sensação era a de ter regressado ao primeiro ano de internato, na Medicina Interna”. Juntava-se “a incerteza do desconhecido e o afastamento, durante quase dois meses, da noiva e do filho, que ainda não tinha completado um ano de vida, por receio de os contagiar”. E desabafa: “Foi um desafio muito intenso!”

Só em meados de maio é que, verdadeiramente, veio a integrar a Unidade de Reumatologia e, umas semanas depois, a inaugurar a Consulta de Artrite Reumatoide e a Consulta de Técnicas Reumatológicas.


Tiago Meirinhos e João Lagoas Gomes

Apesar de não existir uma maior incidência de casos na zona de Penafiel, João Lagoas Gomes sublinha que, devido à maior exposição de uma parte da população a minerais – decorrente da atividade mineira –, há uma maior prevalência de “silicose e, consequentemente, da síndrome de Caplan, uma doença pulmonar que surge em associação à artrite reumatoide”.


Além da patologia inflamatória, o especialista refere ainda a prevalência de variadas doenças degenerativas a que a Reumatologia está capacitada para dar resposta, como a osteoartrose ou as doenças periarticulares, motivadas pela caracterização populacional “muito idosa, rural e fabril, que trabalhou muitos anos com o corpo”.



Objetivo: evoluir para Serviço e obter a idoneidade formativa

A contratação de Tiago Meirinhos pelo CHTS, em julho de 2019, com o objetivo de criar uma Unidade de Reumatologia, conferiu-lhe uma autonomia e uma responsabilidade que há muito idealizava.

Em março de 2020 chegaria João Lagoas Gomes, para se dedicar de forma particular às consultas de Artrite Reumática e de Técnicas Reumatológicas, cujo arranque acabaria um pouco condicionado pela pandemia de covid-19.

O Colégio da Especialidade de Reumatologia da Ordem dos Médicos estabelece que a entrada de um terceiro especialista permitirá que a atual Unidade possa evoluir para Serviço. Obter a idoneidade formativa será o passo seguinte. E depois... “daqui a dois anos gostava que fôssemos no mínimo quatro reumatologistas e dois internos”, assume Tiago Meirinhos.

Consulta de Artrite Reumatoide demonstra o crescimento da Unidade 

Carlos Alberto, presidente do CA do CH Tâmega e Sousa, afirma que tem sido feito “um trabalho gradual no sentido de ser garantida a assistência à população, eliminando a necessidade de recorrer permanentemente aos grandes hospitais do Porto”.


Carlos Alberto

“A criação da Consulta de Artrite Reumatoide demonstra o crescimento da Unidade na intervenção e na diferenciação, para o qual também contribui a jovialidade da equipa, que se traduz numa dinâmica e irreverência próprias”, considera este responsável.



A reportagem completa pode ser lida na edição de setembro/outubro do jornal Hospital Público.

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