Unidades de recursos assistenciais partilhados: «É urgente a criação de uma estrutura nacional»

“A articulação e complementaridade entre todos os profissionais das diferentes unidades funcionais (UF) deve ser ágil, simples, rápida e desburocratizada, exclusivamente centrada no cidadão.” Quem o defende é José Frias Bulhosa, médico dentista e presidente do Encontro Nacional das URAP, que decorreu, em formato híbrido, no dia 13 de maio, no Porto.



Numa sala com profissionais de diferentes áreas de conhecimento das unidades de recursos assistenciais partilhados (URAP), José Frias Bulhosa enfatizou a relevância destas unidades para a saúde da população, tendo dito, na abertura do evento, que deve ser “rapidamente equacionada a pertinência da criação de uma estrutura nacional, que represente oficialmente as URAP”.


José Frias Bulhosa

Esta é, na perspetiva da Comissão Organizadora, uma necessidade, face ao que diz ser a “natural heterogeneidade” e “o DNA de unidade multiassistencial em saúde” das URAP e que deve ser ouvido pela Tutela.

A tónica no doente esteve sempre no centro da sua intervenção, tendo frisado que “esta reivindicação não é das profissões, mas para benefício dos utentes”.

A articulação e a integração são apostas que não podem ficar de parte no presente e no futuro, sendo necessário investir na criação do processo clínico único, “uma conquista do cidadão e uma ferramenta de facilitação da sua fluidez no sistema, salvaguardando o direito à informação”.

A proximidade entre as diferentes UF é uma forma de se conseguir também impedir “a guetização de diferentes saberes clínicos” e a promoção de “hierarquias artificiais”. “Evitam-se procedimentos burocráticos, sem valor clínico, ineficientes e supérfluos”, comentou.



Outros problemas a que deu especial relevância foi ao facto de os sistemas de informação não estarem adequados às necessidades das diferentes profissões das URAP e à ausência de concursos. “Não só se retira a capacidade do SNS internalizar e diversificar a oferta de serviços, como imobiliza a dinâmica dos profissionais, com abandonos precoces e processos longos e penalizadores para a sua substituição.”


Pedro Ribeiro, Carlos Nunes, Ana Sousa e José Frias Bulhosa

Todas estas questões espelham o que ficou patente num inquérito realizado às URAP, e que foi apresentado no evento, no qual se denota vários problemas. “Na resposta às necessidades básicas de saúde, os recursos disponíveis nalgumas áreas especializadas são francamente deficitários; não se limita à escassez de médicos e enfermeiros.”

Concluindo, apontou como solução o reconhecimento das URAP no SNS como “polos essenciais para formação e intervenção preventiva” e que deve funcionar em rede e “de forma sinérgica” com outras UF.

Na mesa de abertura também estiveram Ana Sousa, presidente da comissão científica, Pedro Ribeiro, da delegação Norte da Associação Nacional de Farmácias, e Carlos Nunes, presidente do Conselho Diretivo da ARS Norte.

José Frias Bulhosa anunciou ainda, que o próximo Encontro será, em 7 de junho de 2023, em local a designar. A organização ficará a cargo de profissionais das URAP da ARS Algarve. 


Elementos envolvidos na organização do I Encontro Nacional das URAP

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