Estreitar relações entre Urologia e MGF: «os doentes terão um melhor acompanhamento»

Promover a ligação entre o setor público e privado é um dos principais objetivos do Simpósio Urologia e Cuidados de Saúde Primários do Hospital Lusíadas Porto, organizado em conjunto com a USF Ramalde do ACES Porto Ocidental.

Como referiu Adriano Pimenta, coordenador da Unidade de Urologia do hospital, foi “uma oportunidade ímpar para estreitar as relações e estruturar formas de atuação entre a Urologia e a Medicina Geral e Familiar (MGF) e entre os setores privado e público”.



Na 4.ª edição, que decorreu o mês passado, no Porto, Adriano Pimenta relembrou que esta ligação aos cuidados de saúde primários (CSP) sempre existiu neste evento, que acontece de 2 em 2 anos. “Estas reuniões têm tido sempre a mesma finalidade, isto é, contribuir para a boa prática em Medicina.”



E continuou: “As nossas boas relações com o Dr. Rui Medon, que foi diretor Executivo do ACES Porto Ocidental, permitiu saber dar as mãos e consolidar uma união meramente científica, sem vertentes políticas, mas fundamentalmente vocacionadas para a ciência médica, centralizada no objetivo básico da boa prática clínica.”

Questionado sobre se faz sentido existir mais eventos que unam o público e o privado concordou, mas realçou que, nos últimos tempos, "têm aumentado este tipo de iniciativas".



Relativamente ao simpósio, Adriano Pimenta mostrou-se bastante satisfeito no final. “Todas as apresentações decorreram com elevado nível científico e a discussão dos casos foi enriquecida com a participação dos médicos de família em várias palestras em torno da Urologia, como a patologia prostática, a litíase urinária, a incontinência urinária, as disfunções sexuais ou a infertilidade masculina.”

“Da repressão à liberdade sexual"

Adriano Pimenta destacou as palestras sobre sexualidade, uma das quais intitulada “Da repressão à liberdade sexual. A liberdade sexual como elemento fundamental na estruturação mental e pensamento crítico”, da psicóloga Gabriela Moita, e outra sobre “Transgénero – abordagem clínica”, do urologista Ricardo Ramires.

“A Dra Gabriela Moita foi muito clara e objetiva, o que assistimos hoje em dia não é uma nova sexualidade, mas a uma melhor compreensão científica do trajeto da sexualidade; nos anos 1970, a Associação Americana de Psiquiatria deixou de considerar o comportamento sexual como doença ou desvio patológico”, disse.

A este propósito frisou ainda: “Os nossos legisladores e políticos elaboram leis, esquecendo-se de ouvir as sociedades científicas.”


Rui Medon e Adriano Pimenta

"O importante é a formação e a sua qualidade"


Rui Medon tem sido a cara principal dos cuidados de saúde primários neste evento. O médico de família na USF Ramalde tem participado no simpósio desde o primeiro ano.

“O Dr. Adriano Pimenta, mentor destes simpósios, sempre me dirigiu o convite para colaborar enquanto profissional dos CSP. No passado, a organização foi em nome do ACES Porto Ocidental, pois estava como diretor executivo, mas neste último, como voltei à USF Ramalde, fazia todo o sentido que a organização fosse em nome da USF”, afirmou.



Para o médico de família, este tipo de eventos, em parceria, são fundamentais. “A formação contínua é importante para qualquer profissional de saúde e onde ela possa acontecer é sempre uma oportunidade. Se é um hospital do SNS ou privado, essa não é a questão, o importante é a formação e a sua qualidade”, disse.

E acrescentou: “Os seus benefícios são enormes para os profissionais, tanto mais porque se discutem com a Urologia temas do dia-a-dia dos CSP, com apresentação de casos clínicos, o que facilita o aprofundamento do estado da arte e um conhecimento sobre as diversas intervenções da Urologia, após a referenciação pelos médicos e família.”

No final, quem ganha é o utente: “Deste modo, os doentes terão uma melhor abordagem das suas patologias e um melhor acompanhamento.”



Dos temas abordados este ano, Rui Medon salienta também as perturbações da sexualidade. “A Dra Gabriela Moita fez uma intervenção extraordinária, tendo falado do ´modelo` de pensamento nesta área ao longo dos séculos".

Já quanto à intervenção do urologista Ricardo Ramires, sobre "Transgénero - abordagem clínica", considera tratar-se de um tema que, "apesar da sua especificidade e baixa casuística nos CSP, devemos conhecer e dar atenção.”

 

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