Jornal da Psoríase

A psoríase é uma doença não contagiosa que, para além da pele, afeta também outros órgãos e sistemas. De forma a contribuir para um maior esclarecimento dos portugueses sobre esta doença, recordando que um tratamento eficaz faz toda a diferença na qualidade de vida, foi distribuído aos clientes dos hipermercados Jumbo, por todo o País, um jornal informativo acerca do tema. A ação teve o apoio da Associação Portuguesa da Psoríase (PsoPortugal) e do próprio Grupo Auchan (Jumbo) e o patrocínio da Abbvie e da Leo.

“É preciso informar a população que esta doença não se transmite, nem por contacto direto, nem através do sangue, nem de forma alguma”, salienta Paulo Ferreira, dermatologista no Hospital Cuf Descobertas, em Lisboa. O especialista, que colaborou nesta campanha de esclarecimento nacional sobre a psoríase, sublinha que, apesar de ser visível, a doença não é contagiosa e é importante desmistificá-la.

A psoríase foi durante séculos, segundo conta Paulo Ferreira, conotada com a lepra e outras doenças contagiosas, por haver um grande desconhecimento por parte da população e, também, por não se conseguir catalogar e diagnosticar bem as doenças.

Atualmente, a sociedade ainda não está devidamente informada e este “estigma ainda paira um pouco” sobre os doentes. “A psoríase tem um grande impacto nas suas vidas, tanto a nível social como profissional e, até mesmo, íntimo. Quando não tratados, os doentes têm problemas em ir ao ginásio, à piscina, ao cabeleireiro e isso complica com as suas vidas.”

Psoríase afeta vários órgãos e sistemas

Paulo Ferreira explica que há vários espectros de manifestações da doença e que a gravidade é classificada consoante a sua extensão: ligeira, quando atinge menos de 5% da superfície corporal; moderada, entre 5 a 10%; grave, mais de 10%.

“Há uma mudança do paradigma conceptual da doença, contrariamente ao que se pensava há cerca de 20 anos, que seria apenas uma doença da pele.”

De facto, em ¾ dos doentes manifesta-se predominantemente na pele, porém, os restantes desenvolvem artrite psoriásica. Além disso, é preciso estar atento às doenças cardiovasculares e às doenças inflamatórias do intestino, à depressão, à diabetes, à hipertensão, à obesidade e à desregulação dos lípidos.

Sem cura, mas com tratamento

Estima-se que a doença afete, aproximadamente, 300 mil portugueses. Contudo, apenas cerca de 130 mil vão ao dermatologista, 14% com artrite psoriásica.

A psoríase não tem ainda cura. No entanto, é de salientar que tem tratamento e que este é eficaz, ao ponto de manter a doença controlada, impedindo que se manifeste.

Paulo Ferreira mostra-se incomodado por saber que muitos doentes poderiam viver com mais qualidade de vida e simplesmente não pedem ajuda. Aconselha os doentes a procurarem um dermatologista ou o médico de família, que fará o encaminhamento, a fim de iniciarem o tratamento o mais precocemente possível. Este fará, com certeza, toda a diferença e terá um impacto na sua qualidade de vida.

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