ECCI da Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC) Mateus: «O principal foco está no cuidador»

Tratar de um doente oncológico não é fácil, principalmente quando este necessita de cuidados específicos, como ser alimentado por via parentérica. Na Equipa de Cuidados Continuados Integrados (ECCI) da Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC) Mateus, em Vila Real, dá-se especial atenção aos cuidadores, porque “o desgaste físico e psicológico pode comprometer a manutenção do doente em casa”.

“O doente oncológico até pode estar estabilizado, mas é preciso estar-se atento para saber se o cuidador consegue desempenhar o seu papel eficazmente.” As palavras são do enfermeiro Gabriel Martins, coordenador da UCC Mateus, de Vila Real.

Integrada no ACES Douro I - Marão e Douro Norte, a UCC Mateus, através da ECCI, dá apoio a 20 doentes (100% de taxa de ocupação). Sendo uma região de grandes distâncias, com uma dispersão geográfica de 182 km2, a idade média de quem necessita de cuidados domiciliários ronda os 79 anos.

Os utentes que precisam de reabilitação têm sido os mais representativos, seguindo-se os que necessitam de tratamento de feridas e quem precisa de acompanhamento do regime terapêutico. Todavia, “o doente oncológico é o que representa o maior desafio para a equipa”, já que são “pessoas que acabam por necessitar de quase todas estas valências e da intervenção de todos os profissionais da equipa, consoante o estádio da doença”, segundo Gabriel Martins.

Como em qualquer ECCI, o trabalho é multidisciplinar e os enfermeiros contam com o apoio do médico, do assistente social, do psicólogo, do assistente operacional e do nutricionista. “Só trabalhando em equipa, e em articulação com o médico e o enfermeiro de família e com os hospitais se pode prestar bons cuidados.”

Contudo, quem acompanha o doente também tem um papel importante, senão o principal. “O nosso foco está no cuidador, porque o desgaste físico e psicológico pode comprometer a manutenção da pessoa em casa.” E acrescenta: “Além de não ser uma tarefa fácil, é preciso ter em conta que quem acompanha o doente 24h é, muitas vezes, também um idoso. A nossa região tem um índice de envelhecimento de 133,5%, o que é muito significativo.”



Perante esta realidade, a ECCI disponibiliza um contacto telefónico que permite aos familiares dos doentes oncológicos mais graves contactar a equipa, via telefone, a qualquer hora do dia ou da noite. “Recebemos vários telefonemas às 23h ou às 6h da manhã.” Gabriel Martins acredita que a disponibilização de um contacto permanente faz toda a diferença.

“São idosos, que vivem afastados dos hospitais centrais e que precisam de saber se, perante determinada situação, devem chamar o 112 ou tratar o problema em casa.”

Por vezes, os cuidadores telefonam apenas porque têm dúvidas, por exemplo, na alimentação. “Nos estádios mais graves, os doentes oncológicos podem ter necessidade de ser alimentados por via parentérica ou ser obrigados a adotar uma dieta própria, que vá ao encontro das suas necessidades. Nesses casos, quem cuida deles precisa saber bem o que fazer na altura das refeições.”

Apesar dos desafios que a ECCI enfrenta na formação dos cuidadores e nas grandes distâncias que precisa percorrer para prestar cuidados domiciliários, a satisfação da equipa é total. “Felizmente, o ACES Douro I - Marão e Douro Norte dá-nos todo o apoio necessário em termos de recursos humanos e materiais”, realça Gabriel Martins.





Artigo publicado no Jornal Médico de setembro, editado pela Just News.

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