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«A Saúde Mental deve fazer parte de todas as políticas, não apenas do setor da Saúde»

“Não podemos ter uma visão derrotista e pessimista. A pandemia é uma oportunidade única para melhorar as respostas em Saúde Mental.” As palavras são de Miguel Xavier, diretor do Programa Nacional para a Saúde Mental da Direção-Geral da Saúde (DGS), que participou no Fórum Saúde Mental, organizado pela AlertaMente – Associação Nacional para a Saúde Mental, sob o tema “Contexto laboral”.


No evento, que decorreu em formato híbrido, com presença de palestrantes e de alguns participantes no ISCTE, em Lisboa, Miguel Xavier apresentou um resumo das oportunidades que a pandemia trouxe em termos de Saúde Mental (SM), não deixando, contudo, de abordar as confusões em torno da mesma.



Um dos seus enfoques foi o impacto dos determinantes socioeconómicos na SM, que estão estreitamente relacionados com as condições laborais, que, quando são precárias, tendem a aumentar a prevalência de perturbações psiquiátricas.

Na sua perspetiva, dever-se-ia aproveitar este período pandémico para se estar mais alerta a esta questão, já que aumentou o desemprego, a precariedade e as pessoas que estão em teletrabalho. “A SM deve fazer parte de todas as políticas, não apenas do setor da Saúde”, como já o defende a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Em suma, apesar das dificuldades e dos desafios inerentes à covid-19, é o “momento ideal para se reforçar a necessidade de se olhar para a SM como sendo fundamental, implementando-se medidas concretas no Trabalho e nos restantes setores".


Miguel Xavier

“Este vírus afetou-nos a todos de alguma forma e a SM já não é tanto um problema dos outros, como se costuma pensar, mas de todos. Nunca se esteve tão sensibilizado para estas questões", salientou Miguel Xavier.

Falando especificamente da SM dos profissionais de saúde, sobretudo os que estiveram em contacto direto com doentes infetados, Miguel Xavier relembrou que os sinais de burnout ou de outras perturbações psiquiátricas já eram uma realidade antes da pandemia. E para o exemplificar relembrou um estudo da Ordem dos Médicos, de 2016, no qual se verificava que 2/3 dos médicos e 2/3 dos enfermeiros apresentavam sinais de burnout.

Ainda relativamente a esta questão, o psiquiatra sublinhou que “sintomas não são necessariamente indicação de uma perturbação psiquiátrica” e prova disso é o que tem acontecido com o tão falado burnout dos profissionais de saúde no último ano e 3 meses. “A principal consequência é o afastamento, aumentando por exemplo as baixas médicas e, na maioria dos casos, isso não se verificou. As pessoas estavam em exaustão, mas mantiveram a sua vontade em ajudar.”

AlertaMente: Para “promover a SM da população ativa”

Telma Almeida, diretora do Conselho Executivo da AlertaMente, não podia estar mais satisfeita com o evento. “O nosso objetivo é gerar debate público, apostando no policy-making, como forma de promover a SM da população ativa e foi isso que aconteceu aqui.”

Como acrescentou: “Os gestores, do setor público ou privado, têm de ter consciência de que apostar na SM não é um prejuízo, mas um benefício. Os estudos indicam que por cada euro gasto na SM de um trabalhador, tem-se um retorno de 4 euros.”


Telma Almeida

Criada em 2018, a associação sem fins lucrativos reúne pessoas de áreas diversificadas, como Economia Social, Ciências da Comunicação, Psiquiatria, Psicologia, Terapia da Fala, Terapia Ocupacional, entre outras. A organização do Fórum surgiu no âmbito de uma parceria com o Programa de Apoio Financeiro do Programa Nacional de Saúde Mental da DGS e vai contar ainda com mais duas conferências, uma sobre a SM nas Autarquias, no dia 16 de agosto, e um outro sobre SM na Academia, no dia 10 de setembro.



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