Apoio a doentes oncológicos: Amigas do Peito inaugura Casa de Acolhimento

No Dia Nacional da Prevenção do Cancro da Mama, 30 de outubro, foi inaugurada a Casa de Acolhimento das Amigas do Peito, em Carnide. Para Emília Vieira, presidente da associação, é “a concretização de um sonho”, que resulta de um protocolo tripartido entre a Amigas do Peito, a Junta de Freguesia de Carnide e a Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, do Bairro de Padre Cruz.


Emília Vieira

A casa vai acolher doentes oncológicos, nomeadamente mulheres com cancro da mama em tratamento de quimioterapia, radioterapia e algumas situações em convalescença pós-operatória e que residem longe de Lisboa. Entre os possíveis beneficiários estão também doentes dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

Com dois quartos, poderá acolher 3 a 5 pessoas. “Esta casa tem uma capacidade de acolhimento limitada, mas é um pequeno passo importante”, realçou a cirurgiã oncológica, que lançou há dias o livro "O Que Faço? Tenho Cancro da Mama".


As instalações incluem também um espaço exterior

O sonho de abrir uma casa de acolhimento para doentes oncológicos fora proposto anteriormente ao Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN) pela Amigas do Peito, Liga dos Amigos do Hospital de Santa Maria e Liga dos Amigos do Hospital Pulido Valente.

O objetivo era ficar numa residência do Parque da Saúde Pulido Valente, mas por falta de acordo entre a CHULN e a Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Lisboa, foi encontrada esta solução em Carnide.



Contudo, face à limitação do espaço atual, Emília Vieira deixou um apelo ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa: “Pedimos que nos ceda um lugar para podermos acolher mais pessoas. Será que o CHULN, que inclui o maior hospital do país, não merece o apoio da CML?"

E acrescentou: "Num momento em que se tenta reconverter imóveis públicos e se incentiva a construção de habitação para arrendamento a custos controlados, pedimos que nos arranje um espaço perto do CHULN para desenvolvermos o nosso projeto.”


Emília Vieira num dos quartos da Casa de Acolhimento com um coração que é entregue a todos os doentes

“Só no CHULN surgem cerca de 400 a 500 novos casos por ano”

Emília Vieira não se limitou a falar sobre a casa de acolhimento. Dedicada à causa do cancro da mama há vários anos recordou que é “urgente prevenir este e outros tipos de cancro através de rastreios, informação e apoio a doentes e familiares”.

A médica alertou ainda para o facto de que, em 2050, se estime que 1 em cada 3 mulheres vai ter cancro da mama. “Só no CHULN surgem cerca de 400 a 500 novos casos por ano. Estou certa que muita coisa pode ser feita em termos de prevenção, desde que haja boa vontade e bom senso.”



A inauguração oficial da casa contou a presença de Francisco Matoso, administrador do CHULN, de Fábio Sousa, presidente da Junta de Freguesia de Carnide, do pároco Gonçalo Figueiredo e de Américo Aguiar, bispo auxiliar de Lisboa.



A cerimónia iniciou-se no auditório do Centro Cultural de Carnide, com alguns momentos musicais, mas ainda houve tempo para visitar a casa de acolhimento.

Constituída em abril de 2008, a Associação Amigas do Peito é uma entidade de caráter humanitário. Os seus sócios fundadores eram profissionais afetos ao Hospital de Santa Maria, entre os quais Emília Vieira.

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