Aproximar a Medicina Interna e a MGF: «Os ventos estão de feição. Há que os aproveitar»

"Não haverá nunca uma gestão racional do doente agudo, ou tratamento integrado do doente crónico, sem um incremento substancial na comunicação entre a Medicina Interna (MI) e a Medicina Geral e Familiar (MGF)", sublinhou hoje João Araújo Correia, presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI).

O médico e diretor do Serviço de Medicina Interna do Centro Hospitalar e Universitário do Porto abordou o tema a propósito do 38.º Encontro Nacional de Medicina Geral e Familiar (MGF), evento que está a decorrer em Braga e onde fez questão de estar presente. Uma participação que tem, aliás, um significado especial, como o próprio explicou à Just News:

"Trata-se do último ato oficial em que participo como presidente da SPMI. Fiz questão em vir aqui, para traduzir o grande valor que dou às relações entre a MGF e a MI."


João Araújo Correia

O foco na aproximação entre as duas especialidades tem sido desenvolvida pela atual Direção da SPMI desde o início do seu mandato. E apesar de João Araújo Correia considerar que "ainda há muito a fazer", não esconde a satisfação pelo que, "a muito custo", já se conseguiu atingir.

"É verdade que nos últimos 3 anos já fizemos alguma coisa nesse sentido", afirmou, lembrando que, em 2019, a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) e a SPMI tiveram uma reunião conjunta com a secretária de Estado da Saúde, Raquel Duarte, "um momento histórico de grande abertura para a discussão de muitos problemas da organização do SNS".

Dessa reunião resultou a elaboração de um importante documento de consenso sobre a “Gestão do Doente Agudo em Portugal” e, em agosto de 2020, foi assinado outro documento de consenso entre a APMGF e a SPMI, acerca do “Tratamento do Doente Crónico”, entregue ao então secretário de Estado adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales.


Um dos momentos-chave do 26.º Congresso Nacional de Medicina Interna, também em Braga, foi precisamente a assinatura do Memorando de Entendimento sobre “Gestão do Doente Crónico em Portugal”

"Novas formas de organização de cuidados de saúde"


Relativamente ao futuro, o presidente da SPMI reconhece que "há um caminho longo a percorrer". Contudo, salienta que a grande maioria dos doentes da MGF e da MI "são os mesmos". Com a evolução demográfica, "são cada vez mais idosos e com mais doenças. Muitas vezes, sofrem de males sociais, ou de solidão, para além da doença física."


Nesse sentido, João Araújo Correia faz alusão às "novas formas de organização de cuidados de saúde", mencionando a Hospitalização Domiciliária, os Cuidados Paliativos Domiciliários, as Unidades de Doentes Crónicos Complexos, as Unidades de Diagnóstico Rápido ou as Unidades dedicadas a patologias específicas.

Uma organização que "é hoje uma realidade na Medicina Interna", que beneficia doentes e cuidadores, "tendo o condão de aproximarem o médico hospitalar do médico do Centro de Saúde". E deixa uma mensagem de esperança: "Eu diria que “os ventos estão de feição”. Há que os aproveitar, juntar-lhe a vontade politica e financiamento adequado e nada nos vai parar!"

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