Artroplastias: Projeto do CHEDV reduz o tempo de internamento
Chama-se “Programa de Qualidade nas Artroplastias” e foi recentemente premiado pelo seu caráter inovador. Para além de permitir reduzir o período de internamento, este projeto do Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga (CHEDV), que é tema de reportagem no último Hospital Público, procura envolver o doente e a sua família e evitar complicações futuras para aquele.
No centro do programa está o doente que vai ser submetido a uma artroplastia programada da anca ou do joelho, abrangendo três fases: a preparação para a cirurgia, o internamento e o período pós-hospitalar.
Esclarecer, motivar e integrar: Empenho de toda a equipa
Um dos grandes objetivos consiste, precisamente, em integrar o doente admitido para cirurgia e o seu cuidador no plano terapêutico. Daí que sejam ambos convocados para uma reunião formativa, onde são prestados esclarecimentos sobre a intervenção e definido um plano de reabilitação pré e pós-cirurgia. 
O diretor do Serviço de Ortopedia e Traumatologia do CHEDV admite que a ideia do projeto surgiu da necessidade de “rentabilizar as camas disponíveis, diminuindo os tempos de internamento”. Com 47 camas atribuídas à Ortopedia, António Miranda diz que, “por vezes, não são suficientes”, até porque a sua equipa faz mais de 4000 cirurgias por ano, embora estejam incluídas neste número as que nem sequer obrigam a pernoita.
Mas a verdade é que o "envolvimento estreito" em todo o processo do doente e do seu cuidador/família contribui sobremaneira para o objetivo atrás referido. Logo na reunião formativa estão presentes, além do ortopedista, o fisiatra, o enfermeiro de reabilitação e de cuidados domiciliários e a assistente social – uma equipa multidisciplinar. 
“Estes doentes estão internados, em média, 3 ou 4 dias, têm objetivos a cumprir e eles sabem quais são. No primeiro dia, o objetivo é a cirurgia e, no dia seguinte, é o levante e o treino de marcha... O importante é termos um plano, o doente conhecê-lo e a família também”, afirma António Miranda, que está em Santa Maria da Feira desde que o hospital abriu portas, em 1999, e é desde há quatro anos diretor da Ortopedia.
"O doente não se sente desacompanhado"
Para o nosso interlocutor, uma vertente muito importante do programa prende-se com o apoio domiciliário, pois, “quando o doente vai para casa não se sente desacompanhado”.
E acrescenta que, “se surgir alguma complicação, como uma hemorragia, um inchaço, ou febre, essa informação chega-nos e o doente regressa ao hospital para vermos o que se passa”. Na verdade, fora da área de cobertura do enfermeiro de apoio domiciliário, as unidades de cuidados de saúde primários têm um protocolo com o CHEDV e sabem como têm de proceder.
Programa “numa fase de boa implementação”
Elsa Soares, diretora clínica do CHEDV, está satisfeita com o programa, que diz estar “numa fase de boa implementação, os doentes sabem que ele existe e alguns vêm repetir a operação no outro membro”. E salienta o facto de “estarem avisados do que vai acontecer, percebem todo o sistema e sentem que são parte integrante dele, portanto, colaboram de uma forma completamente diferente”. 
“Para o hospital, permite-nos libertar camas muito mais cedo, os tempos de internamento são bastante menores, andamos normalmente pelos 3/4 dias, às vezes 3, mas só em casos muito especiais, com próteses simples e sem grandes patologias. Há hospitais onde ficam internados muito mais tempo, por vezes, semana e meia...” – observa aquela responsável.
E adianta que, “por outro lado, os doentes, sabendo o que têm de fazer, e sendo uma parte ativa, iniciam os seus tratamentos de recuperação na área da fisioterapia muito mais cedo e de forma bastante precoce, o que lhes permite uma mais rápida mobilidade e consequente integração no dia-a-dia de trabalho, ou nas suas tarefas diárias”. 
António Miranda e Elsa Soares
Resultado de "muito empenho e dedicação"
Relativamente ao facto de o “Programa de Qualidade nas Artroplastias” ter sido reconhecido como um dos mais inovadores no SNS, em mais de uma centena de projetos, Elsa Soares considera que “não pode ser mais gratificante ver reconhecido desta forma o nosso trabalho, que exige bastante”.
“É preciso muito empenho e dedicação, para que tudo possa correr bem e, principalmente, porque sabemos que, em termos de qualidade de vida para o doente. é fantástico”, conclui a diretora clínica do CHEDV.
CHEDV premiado no Fórum “sns+inovação”
O Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga viu dois dos seus projetos reconhecidos como estando entre os 20 mais inovadores, entre um total de 111 que foram submetidos aos prémios do Fórum “SNS+Inovação, Projetos Inovadores em Hospitais do SNS”.
O Fórum realizou-se no final de outubro, em Coimbra, organizado pela Equipa da Coordenação da Reforma Hospitalar, que também distinguiu o projeto “Utente 360º”. Este é direcionado para a melhoria efetiva no atendimento aos utentes do CHEDV, “promovendo e adotando as melhores práticas, utilizando e adaptando as ferramentas tecnológicas existentes para ampliar os canais de atendimento e melhorar a eficiência”.
Fratura do colo do fémur: “uma epidemia nacional”
António Miranda diz que o CHEDV chega a receber seis fraturas do colo do fémur por dia. “É um problema tão grave que temos que considerar que estamos perante uma epidemia nacional”, considera o médico, aproveitando para anunciar uma próxima medida que a equipa e o CHEDV está determinado em desenvolver:
"Um dos programas futuros que iremos implementar, também no âmbito da qualidade, terá que ver com a prevenção de quedas, precisamente, para evitar aquele tipo de fraturas."

A reportagem completa pode ser lida na edição de fevereiro do Hospital Público, distribuído nas unidades hospitalares do SNS de todo o país.
A divulgação de boas práticas e de iniciativas implementadas por profissionais dos hospitais públicos com vista a melhores cuidados de saúde pode ser acompanhada aqui.


