Cancro do colo do útero: intervenção da USF Santa Maria «de mulher para mulher»

A USF Santa Maria, em Tomar, comemorou o Dia Internacional da Mulher com a realização, pelo 10.º ano consecutivo, da Semana da Saúde da Mulher. O objetivo desta iniciativa é sensibilizar a população feminina para a importância do rastreio do cancro do colo do útero.

As citologias são efetuadas apenas pelas mulheres da USF, mas os colegas do sexo masculino não se queixam, apesar de terem mais trabalho, uma vez que é necessário assegurar as consultas de intersubstituição durante essa semana. Afinal, o rastreio é um êxito que os enche de orgulho e, como diz António Branco, coordenador da USF, esta iniciativa “é avaliada, fundamentalmente, pelos resultados do conjunto”.

Na semana de 5 a 9 de março, as mulheres inscritas na USF tiveram a oportunidade de fazer o rastreio sem necessidade de marcação prévia e com um mínimo de burocracias. O atendimento tinha lugar de acordo com a ordem de chegada, entre as 9 e as 12 e das 14 às 19 horas.



Ao longo destes dias, todas as médicas e enfermeiras dedicam parte do seu horário ao rastreio, de acordo com uma escala rotativa.

O esforço, contudo, “acaba por ser de toda a equipa porque para as mulheres terem disponibilidade para fazer o rastreio, os homens têm de ser envolvidos nas outras atividades da USF, quer a nível médico, quer a de enfermagem”, explica Maria Cecília Vicente, responsável pela equipa de enfermagem da USF e também pela organização da Semana da Saúde da Mulher.

“Nós fomos pioneiros!”

“De mulher para mulher” é o slogan de uma iniciativa que, na verdade, remonta a muitos mais anos atrás, ainda a USF era Projeto Alfa (1997). Nessa altura, “afixávamos cartazes em cafés e coletividades”, mas com o decorrer do tempo “deixou de ser necessário fazer publicidade”.


Maria Cecília Vicente

O êxito está à vista: “Mais de 200 mulheres procuram todos os anos a unidade de saúde familiar, na Semana da Mulher, para fazer o rastreio”. Palavra passa palavra e, hoje, já há outras USF do Médio Tejo a realizar este rastreio. Mas é com grande orgulho que a enfermeira faz notar que, na região, “nós fomos pioneiros!”



ARSLVT vai avançar com rastreio de base populacional

O rastreio do cancro do colo do útero de base populacional já existe em algumas regiões do país desde há vários anos “e vai começar também a ser efetuado brevemente na ARS de Lisboa e Vale do Tejo”, recorda o coordenador António Branco. Para quem “a USF efetua aquilo a que tecnicamente se chama de rastreio oportunístico”.

E, ao fim de tantos anos, a verdade é que “a nossa taxa de rastreio é equiparável às das zonas do país onde já existe rastreio sistemático e de base populacional”.



A Semana da Mulher dá uma enorme visibilidade a esta temática. Mas, na realidade, as citologias vão sendo feitas ao longo do ano pelos médicos de família, nas consultas de Planeamento Familiar e Saúde Materna. Naqueles casos em que as mulheres manifestem algum constrangimento em serem observadas por homens, “acabamos por trocar de consultas e há sempre uma médica para o fazer”.

Em ambos os casos, quando se detetam alterações, as mulheres são encaminhadas para a Consulta de Ginecologia do Centro Hospitalar do Médio Tejo, que funciona no Hospital de Abrantes, ou, numa fase mais avançada, para o Instituto Português de Oncologia.


António Branco

Com o rastreio de base populacional, a diferença é que os dados vão ser inseridos numa plataforma própria e não apenas no processo clínico da doente e as mulheres “passam a ser encaminhadas de uma forma centralizada e sistematizada, sem que tenhamos que preocupar-nos com esse aspeto”, explica  António Branco.

Quinze minutos que podem salvar uma vida

O cancro do colo do útero é curável, adianta Maria Cecília Vicente. “Infelizmente, um pouco por ignorância e por negligência de cada mulher em relação à sua própria saúde, muitas não vinham fazer o rastreio. Ao fazer a colpocitologia, é identificada a alteração das células do colo do útero cinco, dez anos antes. Nesta fase precoce, o cancro é tratável e curável”, observa.

É um procedimento simples e não doloroso, que demora cerca de 15 minutos, acrescenta a médica de família Marina Vorobeva, que no dia da reportagem da Just News se encontrava escalada para a realização do rastreio, juntamente com a enfermeira Ana Paula Nunes. “Temos uma grande adesão, mas corre sempre tudo bem. Por vezes, as internas também ajudam e contamos com todo o apoio necessário a nível administrativo”, diz.




A reportagem completa pode ser lida na edição de abril do Jornal Médico dos Cuidados de Saúde Primários.


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