Cancro do colo do útero: vacinação e rastreio

Numa altura em que se assinala, dia 4 de fevereiro, o Dia Mundial de Luta Contra o Cancro, Daniel Pereira da Silva, presidente da Federação das Sociedades Portuguesas de Obstetrícia e Ginecologia (FSPOG), sublinha que, em Portugal, há duas vacinas disponíveis contra o HPV desde 2006.

Uma das vacinas protege contra os HPV 16 e 18 (vacina bivalente), responsáveis por 70 a 75% dos casos de cancro do colo, e a outra, além de proteger contras esses dois genótipos, também protege contra os HPV 6 e 11 (vacina quadrivalente), que não se relacionam com o cancro, mas são responsáveis pelos condilomas genitais.


“No âmbito do Plano Nacional de Vacinação, esta mantém-se para as jovens que a cada ano têm entre 10 e 13 anos de idade. As mulheres nascidas antes de 1992 não foram vacinadas gratuitamente”, adianta.

O especialista em Ginecologia, Ginecologia Oncológica e Obstetrícia sublinha que “todas as mulheres deviam fazer a vacina, sobretudo as mais jovens, e quanto mais cedo melhor”. Outra recomendação também consolidada é a vacinação das mulheres tratadas por lesões do colo do útero. Nesses casos, indica, “a vacina não altera o curso dessas lesões, mas diminui significativamente a probabilidade da mulher voltar a ter lesão”.


No que toca à prevenção secundária do cancro do colo do útero, o rastreio tem sido “fundamental”, quer seja oportunístico (é aproveitada a oportunidade da vinda da mulher a uma consulta para fazer o teste de rastreio) ou organizado (seleciona-se uma determinada população e convocam-se as mulheres regularmente para fazer o teste de rastreio, aplicando-se critérios para controlo de qualidade).


“O teste de rastreio de referência continua a ser a citologia, seja a convencional em esfregado ou em meio líquido”, indica, acrescentando que, no entanto, “têm sido publicados muitos estudos que projetam mais dificuldades para a citologia como exame de rastreio nas mulheres vacinadas e o teste ao HPV assume-se como teste preferencial nessas mulheres, com a vantagem de ser aplicado a partir dos 30 anos de idade e a intervalos mais longos que a citologia”.



Daniel Pereira da Silva é um dos vários especialistas que colabora no Jornal do Dia Mundial da Luta Contra o Cancro. Trata-se de uma ação, de âmbito nacional, com o propósito de sensibilizar e prestar esclarecimentos, de forma muito concreta, sobre o cancro, de uma forma global, e sobre alguns cancros específicos.


Distribuído gratuitamente de norte a sul do país, nos hipermercados Jumbo, o Jornal informativo conta com o apoio da Sociedade Portuguesa de Oncologia e do próprio Grupo Auchan (Jumbo). 

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