CHVNG/E tem em curso «programa ambicioso» de investimento

Faz parte da estratégia do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho (CHVNG/E) “investir na diferenciação e no desenvolvimento dos serviços para melhorar o acesso aos cuidados de saúde”, afirmou o seu presidente do Conselho de Administração. António Dias Alves avançou a medida, ao intervir na última sessão do “Caminho dos Hospitais”, uma iniciativa da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH).



Foi precisamente naquele centro hospitalar que se realizou o evento, dedicado ao tema “Inovação e sustentabilidade clínica e económica”, no qual se destacaram as alternativas para lidar com a questão do subfinanciamento.

“Tencionamos investir num sistema de qualidade que nos dê a certeza de que teremos recursos mais qualificados, processos de qualidade simples, desburocratizados e que produzam melhores resultados na saúde e qualidade de vida dos doentes”, mencionou António Dias Alves, que assumiu o cargo em abril de 2017.


António Dias Alves, Pimenta Marinho e Alexandre Lourenço

Autonomia para desempenhar funções

Durante a sessão, o presidente da APAH, Alexandre Lourenço, lembrou que o SNS atravessa uma fase difícil: “Temos um orçamento muito abaixo do que seria desejável e uma estratégia atualmente liderada pelo Ministério das Finanças de restrição financeira nos hospitais que, de uma forma burocrática, tenta atrasar a despesa pela contratação de pessoal". E acrescentou: "Como se isso pudesse, de alguma forma, causar alguma restrição na despesa e não gerasse mais desperdício”.

“Todos nós temos de defender um SNS com hospitais com mais autonomia, para que tenham a possibilidade de contratação dos recursos necessários, e que, naturalmente, sejam responsabilizados por um orçamento real”, sublinhou o responsável.

O administrador hospitalar insistiu na necessidade de todos trabalharem em conjunto para os hospitais terem autonomia e para que seja possível responsabilizar os gestores e avaliá-los pelo desempenho que têm: “Todos nós, enquanto contribuintes e trabalhadores do SNS, devemos avaliar o que é feito pelos conselhos de administração e isso tem de ser feito de uma forma transparente, mas, para que possamos realmente avaliar o que foi feito, aqueles precisam de ter autonomia para desempenhar as suas funções.”



Ao usar da palavra, Pimenta Marinho, presidente da ARS Norte, salientou a importância da questão do subfinanciamento, tal como a das Urgências: “Continuamos a ter problemas nas Urgências que não são comuns nem exclusivos de Portugal, como se viu este inverno, embora na região norte penso que tenha funcionado com menos problemas do que noutros locais do país.”

Referindo que “o discurso sobre as urgências é o mesmo de há muitos anos”, esclareceu: “Na região norte não temos praticamente utentes sem médico de família. A evolução demográfica é a que nós conhecemos, mas continuamos a dizer que a existência dos verdes e azuis se deve ao facto de os CSP não verem os doentes. Continuamos a apontar as mesmas causas hoje e há 10-15 anos, quando nessa época tínhamos 100 ou 200 mil utentes sem médico de família”, afirmou.

Por isso mesmo, a ARS Norte, integrada no Projeto SNS + Proximidade, vai realizar um estudo em colaboração com o Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto para entender quais as causas que levam as pessoas às Urgências, os locais onde vão e que medidas se podem tomar para melhorar essa situação.

Pimenta Marinho salientou duas das experiências inovadores que o CHVNG/E irá implementar brevemente -- a hospitalização domiciliária e a criação de uma Unidade de Convalescença.  

"Programa ambicioso” de investimento 

Durante a iniciativa, António Dias Alves sublinhou a intenção de ter no centro hospitalar que dirige “um ambiente e uma cultura de responsabilidade que propicie uma boa resposta não apenas aos doentes, mas também à população”.



Segundo o responsável, o atual Conselho de Administração delineou um "programa ambicioso” de investimento não só em instalações, mas também em equipamentos.

No que respeita às instalações, pretende-se concluir a construção de um novo edifício na Unidade I, onde se concentre o ambulatório. A outra ambição é “remodelar os três pavilhões do CHVNG/E”.

É igualmente intenção investir em equipamentos para que, conforme referiu, “tenhamos um parque minimamente atualizado, que agora não possuímos e que causa muitos problemas”. A área dos sistemas de informação não ficará de fora do programa, pretendendo-se conseguir uma maior “adequação e integração”.

Foram vários os profissionais do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho que quiseram participar nesta iniciativa, onde todos os elementos do Conselho de Administração intervieram como oradores e se dispuseram a esclarecer dúvidas, trocar impressões e a ouvir as diferentes perspetivas sobre os temas em debate.

O diretor clínico, José Pedro Moreira da Silva, apresentou um projeto renovador do Serviço de Urgência Polivalente/Centro de Trauma. Por sua vez, Alberta Pacheco, enfermeira diretora, centrou a sua comunicação no projeto de hospitalização domiciliária, que arrancará em breve. Inês Castro, vogal executiva, falou sobre quantificação e alternativas ao subfinanciamento. Também a vogal executiva Margarida França abordou a questão da gestão de recursos humanos.




A reportagem completa poderá ser lida no Hospital Público.

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