Cirurgia Hepatobiliopancreática e Colorretal no CHUC: avanços em «problemas mais complexos»

Realizou-se, há dias, em Coimbra, o Curso Internacional de Cirurgia Hepatobiliopancreática & Colorretal. De acordo com Júlio Leite, diretor do Serviço de Cirurgia dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) / Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), o objetivo foi “discutir os problemas mais complexos” nestas duas áreas da cirurgia.



Na cerimónia de abertura, Júlio Leite, que coordenou o curso em conjunto com o cirurgião José Guilherme Tralhão, começou por lembrar que o evento surge no seguimento das antigas Jornadas Internacionais de Cirurgia, aproveitando o momento para homenagear, a título póstumo, o seu impulsionador e “legítimo” presidente de honra, Francisco Castro e Sousa, antigo diretor do Serviço de Cirurgia, falecido recentemente.

Segundo o professor catedrático de Cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, o curso refletiu o trabalho clínico das unidades de Cirurgia Hepatobiliopancreática e Cirurgia Colorretal dos HUC/CHUC, "em consonância com a exigência que assumem como centros de referência nestas áreas oncológicas".

De acordo com Júlio Leite, o Serviço de Cirurgia dos HUC/CHUC, que resultou da fusão dos antigos serviços de Cirurgia A e B, tem uma nova filosofia, "orientada para a especialização cirúrgica", uma tarefa que afirma não ser fácil, mas que acredita que virá a ter resultados positivos. Na sua opinião, só dessa forma organizativa será possível a “especialização e a inovação”.

A iniciativa contou com o contributo de reconhecidos cirurgiões nacionais e internacionais, bem como de outros especialistas, entre os quais, radiologistas, radioterapeutas, oncologistas e patologistas. Foram demonstradas, em cirurgia ao vivo e em vídeo, as mais recentes técnicas no domínio da cirurgia hepatobiliopancreática e colorretal.

O primeiro dia do curso foi dedicado, sobretudo, à cirurgia hepatobiliopancreática, tendo sido abordadas as atuais terapêuticas no tratamento das metástases hepáticas, com destaque para as técnicas ALPPS e a transplantação hepática, e, no tratamento do cancro do pâncreas, a importância da abordagem minimamente invasiva.



No segundo dia, o cancro do reto foi um dos temas que mereceu destaque. Em declarações à Just News, Júlio Leite salienta que este tipo de tumor pode ser atualmente retirado por via laparoscópica e, nos casos mais complicados, é possível usar uma nova técnica, por via transanal, que permite fazer uma excisão em tumores baixos, com vantagens para o doente, sobretudo pelo menor tempo de internamento e a melhor qualidade de vida. A técnica foi iniciada há 6-7 anos e o Serviço de Cirurgia do CHUC/HUC já a efetuou em mais de 40 casos, "com bons resultados".

Foram focados, também, os distúrbios funcionais anorretais, tendo sido discutidos casos concretos com recurso à visualização de vídeos e de cirurgia ao vivo, transmitida a partir do bloco operatório central dos HUC.

Intervieram na cerimónia de abertura Lúcio de Almeida, em representação da ARS Centro, o presidente do Conselho de Administração do CHUC, Fernando Regateiro, o subdiretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, Américo Figueiredo, o diretor clínico do CHUC, Francisco Parente, o anterior presidente da Sociedade Portuguesa de Cirurgia, Eduardo Barroso, e Manuel Teixeira Veríssimo, vice-presidente do Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos.



Cirurgia ao vivo

No curso foi transmitida, ao vivo, uma cirurgia em que o indivíduo intervencionado sofria de prolapso retal, com queixas de dificuldade na evacuação. “O reto invaginava na escavação pélvica e condicionava uma situação de desconforto e de mal-estar”, explica Júlio Leite.

Foi utilizada uma técnica cirúrgica não invasiva – retopexia ventral laparoscópica – que “não perturba as dinâmicas fisiológicas do reto e da bexiga e com muito bons resultados clínicos”.



Esta técnica foi desenvolvida por André D’Hoore, da Universidade de Leuven, “uma referência na cirurgia do colon e reto”, com o qual o Serviço dirigido por Júlio Leite tem vindo a trabalhar há cerca de uma década.


Júlio Leite e José Guilherme Tralhão

O curso contou com mais de 200 inscritos, entre internos e especialistas.

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