Congresso de Pneumologia do Centro «é um bom exemplo de descentralização»

"Os números da incidência da tuberculose reduziram, mas há novas preocupações", afirma Carlos Robalo Cordeiro, diretor do Serviço de Pneumologia A do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (CHUC).

Em entrevista à Just News, o docente da Faculdade de Medicina de Coimbra, refere alguns dos novos desafios associados à doença, "como o aumento da população migrante, a concentração nos grandes centros urbanos e a sua associação a dificuldades sociais e população com maior fragilidade, como a população com VIH".

O especialista argumenta que apesar de a doença estar atualmente próxima do limite definido como de baixa incidência, “é preciso não esmorecer nos esforços dos últimos anos, sob pena de podermos assistir a uma inversão de ciclo”.

CPC: "um bom exemplo de descentralização"

Este tema será debatido na conferência de encerramento do 8.º Congresso de Pneumologia do Centro (CPC), evento que decorrerá na Figueira da Foz no final deste mês, dias 29 e 30 de junho. Robalo Cordeiro, secretário-geral da Sociedade Respiratória Europeia, preside à reunião, juntamente com Manuela Lopes (Hospital Distrital da Figueira da Foz).

Sublinha o especialista que o CPC "envolve todos os serviços de pneumologia da região centro e alguns da vizinha Espanha".



Aliás, Robalo Cordeiro não hesita mesmo em considerar este evento como "um bom exemplo de descentralização, com a promoção de uma participação inclusiva de todos os grupos e serviços pneumológicos desta área geográfica".

Cancro do pulmão e imunoterapia: "novas perspetivas terapêuticas"

Além dos números da tuberculose e da estratégia a adotar no combate à doença, a reunião vai, naturalmente, promover o debate dos "temas mais atuais da pneumologia". Robalo Cordeiro adianta que o cancro do pulmão e a imunoterapia serão dois dos destaques, "sobretudo porque começam a aparecer novas perspetivas terapêuticas para além da quimioterapia".

Refere o especialista que, "com a imunoterapia, já há resultados preliminares de alguns estudos que mostram o aumento da sobrevivência dos doentes e, portanto, trata-se de uma aposta terapêutica sobre a qual devemos estar informados e atualizados”.

Nos espaços patrocinados pela indústria "haverá tempo para discutir terapêuticas específicas e abordagens em doentes com DPOC e asma grave", com Robalo Cordeiro a sublinhar a importância da "personalização do tratamento".



Ainda sobre os temas mais importantes em debate, o diretor do Serviço de Pneumologia A do CHUC destaca a presença do palestrante internacional, Bruno Crestanti, “um grande nome da patologia intersticial, nomeadamente da fibrose pulmonar idiopática”, numa conferência sobre um campo onde existem novas estratégias, uma terapêutica mais personalizada e novas moléculas com resultados promissores.

A terminar, e até porque esta é, tradicionalmente, "uma reunião em que os internos acorrem com grande vigor", o presidente do 8.º CPC anuncia que será debatido o futuro da especialidade, nomeadamente o novo programa de formação em Pneumologia.

“Houve algumas modificações publicadas em Diário da República e será esse o mote que nos levará a discutir uma nova realidade”, termina.

O programa pode ser consultado aqui.




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