Mais formação em Saúde Mental para os profissionais dos cuidados primários. «O diagnóstico é fundamental»

“Saúde Mental nos Cuidados de Saúde Primários” é o tema das VII Jornadas de MGF da USF São Martinho de Alcabideche. Por causa da pandemia vão decorrer online, entre as 9h e as 13h30 do próximo dia 16 de outubro. Para a coordenadora da USF, Ana Paes de Vasconcellos, “todos os médicos de família devem ter formação em Saúde Mental”.

Ana Paes de Vasconcellos alerta, em entrevista à Just News, para a necessidade de existirem mais respostas de Saúde Mental nos cuidados de saúde primários (CSP). “As patologias que mais afetam os utentes são as ansiogénicas e as depressivas e é precisamente nestes casos que se sentem as principais lacunas nos CSP.”

Para que a realidade possa ser diferente, a responsável defende mais iniciativas formativas. “O diagnóstico é fundamental e todos os médicos de família devem ter alguma formação sobre saúde mental, além da que faz parte do internato, de modo a conseguirem medicar e acompanhar doenças psiquiátricas menos graves para se evitarem as referenciações para consulta hospitalar.”

No caso dos doentes com patologia psiquiátrica que necessitam obrigatoriamente de cuidados hospitalares, considera “relevante” que haja uma maior interligação com o hospital, sobretudo através da consultadoria. “Sem dúvida que se iria evitar muitas vezes o encaminhamento para o hospital.”

E se antes da pandemia já se sentia a necessidade de se apostar nesta área, atualmente tornou-se das principais medidas a tomar face ao aumento da patologia do foro mental. “Nota-se um agravamento – ou até surgimento – de doenças, principalmente nos idosos, que estão muito isolados e que ficam demasiado ansiosos com as notícias sobre a covid-19. Alguns até desenvolveram sintomatologia psicótica.”



Outro problema que também aumentou com a pandemia "foram os casos de violência doméstica, com as consequências que daí decorrem a vários níveis".

Relativamente à saúde mental dos próprios profissionais de saúde, Ana Paes de Vasconcellos reconhece que o risco de burnout é cada vez maior nas equipas de saúde:

“A causa está no trabalho ininterrupto (sem pausa de fim de semana), acrescentando-se os contactos telefónicos dos utentes inseridos na plataforma Trace-covid e dos grupos vulneráveis. Por outro lado, uma maior acessibilidade telefónica e por e-mail faz com que a população utilize esses meios de forma muito fácil e acessível por tudo e por nada, entupindo, por vezes, as urgências e linhas de contacto.”

Estas Jornadas da USF São Martinho de Alcabideche fazem parte de um programa de formação, delineado pela unidade em 2015 e implementado ao longo destes 5 anos, que visa apoiar vários profissionais de saúde, incluindo de outras unidades, mas também os próprios utentes, com a realização de ações de promoção da literacia em saúde. 

O evento realiza-se dia 16 de outubro, de forma online, através da plataforma Zoom, estando aberto a todos os profissionais. O programa pode ser consultado aqui.
As inscrições (gratuitas) podem ser efetuadas aqui. O link de acesso será enviado pela organização na véspera do evento.



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