Cuidados intensivos cardíacos em Portugal «devem ser repensados»

“Os cuidados intensivos cardíacos colocam-nos, atualmente, importantes desafios na prática clínica”, afirma Sílvia Monteiro, coordenadora do Grupo de Estudos de Cuidados Intensivos Cardíacos (GECIC) da Sociedade Portuguesa de Cardiologia e responsável pela organização da sua reunião, justificando assim o tema central da mesma, “Repensar os cuidados intensivos cardíacos em Portugal”.



À margem da referida reunião, que se realizou, em Lisboa, a 9 e 10 de novembro, a cardiologista do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra explica que, fruto das alterações demográficas apresentadas pela população, “os doentes que necessitam de cuidados cardíacos agudos têm vindo a mudar, quer em termos de número, quer de complexidade da doença cardiovascular, muitas vezes complicada por comorbilidades que vão ter um impacto muito importante em termos de abordagem e de prognóstico dos doentes”.

E desenvolve: “As unidades coronárias que tiveram um papel muito relevante no tratamento do enfarte agudo do miocárdio, evoluíram ou terão de evoluir para unidades de cuidados intensivos cardíacos com capacidade para tratar um largo espectro doentes com patologias cardíacas muito diversas e com diferentes níveis de complexidade.”



Neste contexto, Sílvia Monteiro refere que "o desafio passa precisamente por aqui, uma vez que estas unidades exigem a permanência de profissionais com formação e experiência em duas áreas distintas: cardiologia avançada e medicina de cuidados intensivos".

Na sua opinião, “é difícil ter profissionais com estas características". E, dessa forma, o objetivo da reunião do GECIC foi o de "refletir sobre o estado da arte, tentar repensar a realidade portuguesa e definir o caminho que queremos prosseguir nestas áreas, encontrando modelos de colaboração e de organização alternativos que permitam tratar o melhor possível o doente cardíaco crítico e uma alocação eficiente dos cuidados, incluindo a criação de uma rede de referenciação formal”.



Segundo a cardiologista do CHUC, durante a elaboração do programa houve a preocupação de ter, ao longo da reunião, a opinião de todos os profissionais envolvidos nos cuidados cardíacos agudos, "desde cardiologistas, médicos de outras especialidades, enfermeiros, equipas de reabilitação", fazendo ainda referência, e destacando, o papel dos médicos mais jovens:

"Representados pelo Conselho de Jovens Cardiologistas, são o futuro da Cardiologia e queremos ouvi-los, particularmente no que diz respeito à formação e certificação profissional nesta área.”



O evento contou com 172 inscrições, tendo superado as expectativas para uma reunião monotemática. O Grupo de Estudo de Cuidados Intensivos Cardíacos é constituído pelos cardiologistas Ana Teresa Timóteo, Sílvia Monteiro e Daniel Caeiro.


 Ana Teresa Timóteo, Sílvia Monteiro e Daniel Caeiro

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