Enfarte agudo do miocárdio: Stent for Life empenhado no diagnóstico precoce

“O bom funcionamento da Rede de Referenciação Regional, habitualmente designada por Via Verde Coronária, é crucial para o diagnóstico precoce do enfarte agudo do miocárdio (EAM) com supradesnivelamento de ST (EAMcST) e para a viabilização do tratamento deste problema”, afirma Sílvia Monteiro, coordenadora do Grupo de Estudo de Cuidados Intensivos Cardíacos da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) e diretora do Curso STEMICARE.



As declarações surgem a propósito da realização de mais um Curso Avançado em Abordagem Intra-Hospitalar Precoce do EAMcST, integrado no projeto STEMICARE, organizado no âmbito do Stent for Life - programa europeu de intervenção na área da saúde cardiovascular, implementado em Portugal pela Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC).


A ação, que decorreu no último sábado, em Fátima, foi organizada em colaboração com o Serviço de Cardiologia do Centro Hospitalar de Leiria (CHL) e reuniu mais de 50 profissionais do Serviço de Urgência do CHLeiria e respetivos hospitais referenciadores e profissionais do INEM.




A abertura do Curso esteve a cargo de Hélder Pereira, presidente do Stent for Life, e de João Morais, diretor do Serviço de Cardiologia do CHL e presidente da SPC.


Durante a sua breve intervenção, João Morais teceu largos elogios ao trabalho desenvolvido no âmbito do programa Stent for Life, classificando-o como “a grande iniciativa da Cardiologia portuguesa”, que deveria, na sua opinião, "ser replicada em outras áreas da Medicina".





Para o presidente da SPC, a redução da taxa de mortalidade por EAM em Portugal “não tem a mão da tutela”. Os bons resultados devem-se, segundo aquele responsável, aos médicos e a toda a estrutura da Saúde, que se organizou para que isso acontecesse.


Sílvia Monteiro sublinha a importância da Via Verde Coronária ser um sistema de acesso rápido aos cuidados de saúde. “O primeiro contacto deverá ser sempre feito com o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), pelo 112, que envia meios e profissionais com capacidade para fazer o diagnóstico de EAM no pré-hospitalar”, menciona a cardiologista do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), esclarecendo que para, fazer o diagnóstico, basta efetuar um eletrocardiograma.


Uma vez feito o diagnóstico, "os Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) contactam o serviço de Cardiologia com laboratório de hemodinâmica da área de referência, para que a equipa esteja preparada para iniciar a angioplastia primária imediatamente após a admissão do doente”. Segundo a especialista, desta forma, "são minimizados uma série de atrasos que permitem reduzir o tempo entre o início dos sintomas e a instituição da terapêutica de reperfusão, essencial para melhorar o prognóstico do doente com EAMcST".




“A ativação da Via Verde Coronária através do INEM evita a admissão direta em hospitais sem programa de angioplastia primária, reduzindo desta forma os tempos relacionados com o transporte inter-hospitalar, e garante o transporte seguro do doente, uma vez que os profissionais estão treinados para identificar e tratar de imediato as principais complicações do EAM, nomeadamente a paragem cardiorrespiratória e a insuficiência cardíaca aguda, mais frequentes nas primeiras horas após o início dos sintomas”, acrescenta.

Alertar os profissionais para a importância do diagnóstico e tratamento precoces do EAM 

Com a realização destes cursos, pretende-se alertar os profissionais do Serviço de Urgência e do INEM – internos e especialistas de Medicina Interna, Medicina Intensiva, Emergência Médica e Medicina Geral e Familiar -- que, no dia-a-dia, desenvolvem atividade no âmbito da urgência, para a importância de diagnosticar e tratar precocemente o doente com suspeita de EAM.



O curso foi ministrado por cinco cardiologistas (Célia Domingues, Elisabete Jorge, Juliana Martins, Rui Batista e Sílvia Monteiro) com muita experiência na abordagem do doente com enfarte.



"Sessões muito interativas"

Além da parte teórica, onde foram apresentados os principais temas de abordagem do enfarte, tiveram lugar duas sessões de discussão de casos clínicos em que os formandos estiveram divididos em grupos. “Foram sessões muito interativas, em que foi apresentada não só a história clínica, mas também os diversos exames realizados, onde os formandos tiveram oportunidade de treinar os algoritmos de diagnóstico e tratamento de uma forma repetida e sistemática”, explica Sílvia Monteiro.



Até ao final do ano, estão agendados mais seis cursos STEMICARE, organizados em parceria com diferentes hospitais do país.

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