Doente respiratório crónico: enfermeiro de reabilitação como «gestor de caso»

“Doente Respiratório Crónico: Desafios e necessidades no mundo real” foi a temática das III Jornadas de Cuidados Respiratórios em Enfermagem, que decorreram entre 18 e 20 de abril, em Lisboa.
 
De acordo com Carmo Cordeiro, membro da comissão organizadora, “o enfermeiro especialista em reabilitação (EER) deve ser o gestor de caso dos doentes com doença respiratória crónica”.



Carmo Cordeiro, que é enfermeira especialista em Enfermagem de Reabilitação na Unidade de Saúde Pública de Santo António dos Cavaleiros – ACES Loures/Odivelas, salientou, em declarações à Just News, "o papel fundamental" do EER nesta área de intervenção:

“Como gestor de caso, o EER identifica as necessidades reais do doente, intervindo na componente educacional, capacitando-o na autogestão dos sintomas respiratórios, na gestão da medicação, na correta técnica inalatória e na promoção de estilos de vida saudáveis, tanto em ambiente hospitalar como na comunidade.”


João Cardoso, diretor do Serviço de Pneumologia do Hospital de Santa Marta - CHLC, e Carmo Cordeiro

Trabalhar "em equipa multi/interdisciplinar"

A enfermeira destacou ainda a necessidade destes projetos/programas de intervenção contarem com o apoio de profissionais de saúde de várias áreas. “O nosso trabalho deve ser em equipa multi/interdisciplinar – enfermeiros, enfermeiros de reabilitação, médicos, fisioterapeutas, entre outros -, porque o doente precisa de cada um de nós.”

Além disso, considerou "essencial que haja mais programas de reabilitação respiratória no terreno". E, nesse sentido, "é imprescindível que os vários profissionais invistam, criem sinergias, independentemente das limitações, e, mesmo que se iniciem apenas por ‘carolice’ numa primeira fase, é preciso agir.”

E continuou: “O que se pretende é capacitar as pessoas para a autogestão da sua patologia, nomeadamente para aprenderem a fazer a medicação, a controlarem as exacerbações, a terem uma alimentação saudável e a praticarem exercício físico”, apontou.

Medidas que, como acrescentou, "vão contribuir para uma melhor qualidade de vida, apesar de se tratar de uma patologia crónica".



Promover a saúde respiratória no ACES Loures/Odivelas

Um dos projetos que Carmo Cordeiro quer ver no terreno é a criação de uma consulta de Enfermagem para o doente respiratório crónico no ACES Loures/Odivelas, "onde o EER assuma o papel de gestor de caso".

Na sua opinião, não há qualquer dúvida: "É uma mais-valia poder contar com uma equipa que tem como foco a promoção da saúde respiratória, além de planos ação, sessões educacionais, acompanhamento de follow-up e de vigilância na comunidade”.

Por outro lado, é também "uma forma de se evitar as idas constantes às urgências e os internamentos, ao prevenirem-se as exacerbações".

Questionada sobre se existem recursos humanos suficientes para estas ideias, deixou um alerta: “Contamos com muitos EER que querem abraçar este tipo de iniciativas, o problema está no facto de acabarem por ser alocados a funções mais generalistas; é preciso mudar esta realidade.”



O tema foi apresentado pela enfermeira no último dia das Jornadas, juntamente com a sua colega Sónia Casado, no âmbito da conferência intitulada: "Consulta de Enfermagem do doente respiratório crónico nos cuidados de saúde primários - necessidade ou oportunidade?" 

Participantes com "evidente interesse" nos temas discutidos

Quanto às Jornadas, a enfermeira faz um balanço muito positivo: “Excelente, contámos com cerca de 370 inscrições e foi evidente a participação e o interesse de todos nas várias mesas redondas.”


João Cardoso, Rui Silva, Carmo Cordeiro, Dulce Ferreira, Filomena Leal e Ramalho de Almeida

Na sessão de abertura, além de Carmo Cordeiro e de João Cardoso, esteve também Ramalho de Almeida, pneumologista do Hospital da Ordem da Trindade, Dulce Ferreira, enfermeira especialista de Reabilitação no ACES Oeste Sul, Rui Silva, em representação da presidente da Associação Portuguesa de Enfermeiros de Reabilitação, e Filomena Leal, presidente da Associação Científica dos Enfermeiros (ACE), a entidade organizadora do evento.



Dada a qualidade do conteúdo programático, as Jornadas, que contaram com o apoio do Centro Hospitalar Lisboa Central, tiveram o patrocínio científico de variadas entidades, como foi o caso da Associação Portuguesa de Enfermeiros de Reabilitação, do Grupo de Estudo de Doenças Respiratórias da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar e da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, entre outras.









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