Ecografia intracardíaca: Curso do Hospital Geral do CHUC com dois casos ao vivo «muito exigentes»

A Unidade de Intervenção Cardiovascular (UNIC) do Hospital Geral (HG)/Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), coordenada por Marco Costa, recebeu mais um curso de ecografia intracardíaca. Foi a 5.ª edição desta iniciativa, que é organizada pelo Serviço de Cardiologia do HG/CHUC, cuja direção está a cargo de Lino Gonçalves.

Em declarações à Just News, Marco Costa mencionou que esta formação, que teve lugar no passado dia 10 de novembro, se centrou, mais uma vez, no uso desta metodologia de imagem no contexto do encerramento do apêndice auricular esquerdo, tendo contado com 11 participantes (dois austríacos, quatro franceses, dois polacos e três portugueses).

A Lino Gonçalves coube fazer uma breve apresentação do curso. Seguiram-se, depois, duas apresentações teóricas: a primeira, feita por Luís Paiva, que abordou as mais-valias da ecografia intracardíaca; e a segunda, que ficou a cargo de Marco Costa, que incidiu sobre o uso desta modalidade de imagem na oclusão do apêndice auricular esquerdo.

Foram feitos dois casos ao vivo que Marco Costa classificou como “muito difíceis”. “Foram casos muito exigentes do ponto de vista técnico. Por isso mesmo, os nossos colegas aproveitaram mais”, aponta, salientando que os participantes já tinham algum conhecimento prévio das técnicas, mas estavam à procura de mais expertise.



Em ambas as situações, os doentes tinham fibrilhação auricular não valvular e estavam hipocoagulados, tendo de suspender a anticoagulação porque tiveram complicações hemorrágicas. “A escolha destes doentes para este tipo de procedimento teve como objetivos, por um lado, evitar o uso de anticoagulantes e, por outro, que os doentes ficassem mais protegidos dos fenómenos embólicos cerebrais, através da acumulação de trombos no apêndice auricular esquerdo”, explicou o médico.

Marco Costa adiantou que a ecografia intracardíaca é uma técnica complementar às que já existem de ecocardiografia transesofágica 3D e angioTAC, mas tem algumas vantagens, nomeadamente: “Permite ver os doentes apenas com anestesia local; implica um número menor de profissionais de saúde envolvidos nos procedimentos; duração menor dos procedimentos, sendo mais fácil fazer um turnover dos doentes; e possibilita que se consiga guiar o procedimento nas fases mais complexas e mais difíceis, do ponto de vista técnico, de forma segura e eficaz”.

O coordenador da UNIC salientou ainda que, em alguns casos, neste tipo de procedimento, a anestesia geral traduz-se num maior número de complicações de vária ordem.



Segundo Marco Costa, a nível europeu, Portugal está na vanguarda no que respeita à ecografia intracardíaca. A prova disso é que há pessoas oriundas de todos os países da Europa que têm vindo a frequentar estes cursos.

Existem várias solicitações no sentido de realizar mais cursos, até noutros locais. Para já, em 2017, já estão agendadas mais quatro edições na UNIC. A próxima terá lugar no dia 23 de fevereiro.



Tendo em conta que, noutros países, este tipo de procedimentos nem sempre é feito por cardiologistas de intervenção, o curso destina-se a outros profissionais de saúde, nomeadamente, cardiologistas pediátricos, eletrofisiologistas e especialistas na área da Imagem.

De destacar, ainda, que este curso está acreditado pela European Board for Accreditation in Cardiology (EBAC).





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