Envolver a criança e a família para a prestação de «cuidados de qualidade em Pediatria»

"Os cuidados de saúde centrados na criança/adolescente e família são globalmente vantajosos para todos: o doente, a família e as equipas de saúde, sendo um importante fator na prestação de cuidados de qualidade em Pediatria", salienta Rita Moinho, assistente hospitalar graduada de Pediatria.


De acordo com a médica, "é sobejamente aceite e está comprovado que a participação dos pais ou cuidadores contribui para o bem-estar físico e emocional das crianças e adolescentes". Contudo, alerta que, "num ambiente não familiar como um hospital, isso pode ser um desafio".

Na sua opinião, os profissionais de saúde têm "um papel fundamental na facilitação desse envolvimento" e, no âmbito de um "modelo de cuidados centrado no doente, este e suas famílias poderão envolver-se também no processo de tomada de decisão, mesmo em questões específicas como o tratamento e procedimentos envolvidos".

Desta forma, considera não haver qualquer dúvida de que "a existência de um diálogo próximo entre os profissionais e as crianças e famílias permite uma maior aproximação, assumindo um papel fundamental a comunicação e a compreensão mútuas".


Rita Moinho

"Qual o nível de participação mais apropriado em cada díade doente-cuidador"

Rita Moinho lembra que o "conceito de participação ou envolvimento parental nos cuidados de saúde é vago e pode ser percecionado de forma diferente entre famílias e profissionais, nem sempre estando claramente definido".

Quanto aos benefícios do envolvimento das famílias nos cuidados de saúde passam pela "continuidade do papel parental, da família como uma unidade funcional; reduzem a ansiedade da criança e família; promovem maior adesão ao tratamento, bem como contribuem para a aquisição ou reforço de competências em tratar de uma criança doente".

E acrescenta: "A base desta participação deve ser sempre fundamentada nos melhores interesses para aquela criança ou adolescente doente, sendo que muitas vezes se poderá levantar a questão de qual o nível de participação mais apropriado em cada díade doente-cuidador e que se pode, naturalmente, modificar em diferentes fases da doença."

"Cabe aos profissionais de saúde adquirir estratégias"

A especialista, a exercer funções no Serviço de Cuidados Intensivos Pediátricos do Hospital Pediátrico da ULS de Coimbra, sublinha que, em crianças hospitalizadas, as questões relacionadas com a participação da criança e família "são ainda mais relevantes do que em ambulatório, particularmente em ambiente de cuidados a doentes críticos".

E percebe-se porquê: "Nestes casos, o nível de ansiedade parental é elevado, dada a complexidade patológica e muitas vezes o risco de vida envolvido. Se, por um lado, os cuidadores mostram necessidade de informação e de participação, por outro, é muitas vezes notório o seu receio na aproximação e quanto à perceção da realidade em que se encontra o/a seu/sua filho/a."

Neste contexto crítico, "o envolvimento dos mesmos é particularmente desafiante", refere Rita Moinho, pois a incerteza da evolução clínica pode "criar uma maior barreira no diálogo entre ambas as partes e dificultar esta interação, cabendo aos profissionais de saúde adquirir estratégias para reduzir essas dificuldades e manter o envolvimento dos cuidadores".

Segundo Rita Moinho, se é certo que "são frequentes os relatos traumáticos dos cuidadores de crianças em estado crítico", afirma que são também "recompensadores quando a humanidade e os cuidados de qualidade são relatados pelos mesmos e quando sentem que são igualmente ouvidos e envolvidos".

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