IPR: Equipas multidisciplinares centradas no doente e não na doença

Quando se entra no Instituto Português de Reumatologia (IPR), a sala de espera costuma estar cheia. São várias as pessoas seguidas pela equipa multidisciplinar do instituto, que é considerada de referência, a nível nacional e internacional.  José Patto, presidente do IPR, sente orgulho pelo trabalho que se tem realizado e frisa o papel que o instituto tem tido na prevenção e no tratamento das doenças reumáticas ao longo destes anos.

“Os médicos, enfermeiros e outros profissionais trabalham, todos os dias, em prol do bem-estar dos utentes. Temos um papel chave na vida de muitas pessoas que são encaminhadas para aqui, além de se colmatar as lacunas do Estado no que diz respeito a este tipo de patologias.”

E acrescenta: “O IPR, enquanto prestador de cuidados para o SNS, é a maior unidade de Reumatologia que existe em Portugal: é a que tem mais médicos, a que pratica mais atos, em menos tempo, com menos custos e de forma mais integrada.”

Além do tratamento das doenças, desenvolve “um grande esforço na reabilitação dos doentes, através de uma forte aposta na sua Unidade de Medicina Física e de Reabilitação”.

O principal problema é que o valor dos contratos com a ARSLVT tem vindo a ser sistematicamente reduzido, “ao ponto de colocar em risco o equilíbrio financeiro da instituição”, alerta. “Há falta de verbas, precisamos de mais apoios, nomeadamente, das empresas e do mecenato. É preciso abrir o IPR, como instituição particular de solidariedade social (IPSS) que é, à sociedade, para que consigamos enfrentar estes desafios.”

Outra aposta essencial, não só em termos financeiros, mas também para se chegar ao maior número de pacientes, seria “a aposta nas consultas privadas”.

Equipas multidisciplinares centradas no doente e não na doença

As patologias do foro reumático não estão sozinhas e podem provocar outras complicações. Os próprios fármacos são suscetíveis de induzir ou, pelo menos, de aumentar a probabilidade de comorbilidades. Para as evitar e, se for o caso, tratar, existe à disposição dos doentes várias valências.

Exemplo disso são as consultas de Cardiologia, de Nutrição e de Psicologia. “Também temos reumatologistas formados em doenças raras – Behçet, Sjögren e fenómeno de Raynaud/esclerose sistémica, entre outras –, chegando a deslocar-se ao estrangeiro para terem mais formação e prestar melhores cuidados”, relata o presidente do IPR.

Com este trabalho multidisciplinar, é possível, por exemplo, “prevenir que o paciente que sofre de artroses nas mãos e que tem excesso de peso possa ser seguido em Nutrição, para evitar que o problema também atinja os joelhos”. As doenças que afetam os pés são outra consequência, que pode limitar muito a vida dos utentes.

No IPR, “como o doente é visto como um todo”, tem assistência em Podologia, “o que não costuma acontecer na maioria das unidades da especialidade existentes em Portugal”.



As declarações de José Vaz Patto fazem parte de uma reportagem sobre o Instituto, publicada no Jornal das XXII Jornadas Internacionais do IPR, evento que se realizou nos dias 27 e 28 de novembro.

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