Grupo de Cirurgia Colorretal do CHUAlgarve (Portimão) já assegura 100% das cirurgias eletivas

A iniciativa de criar o Grupo de Cirurgia Colorretal do Serviço de Cirurgia II do Centro Hospitalar Universitário do Algarve (Portimão) partiu de Mahomed Americano, atual diretor clínico deste centro hospitalar. Desde então, têm vindo a ser melhorados vários processos, de modo a conseguir alcançar, no final, um resultado melhor.

“Anteriormente, os procedimentos não eram padronizados", salienta Edgar Amorim, coordenador do Grupo. De acordo com o médico, "a escolha dos exames complementares de diagnóstico dependia do médico que seguia o doente. Havia consultas duplicadas e desnecessárias, uma vez que os doentes eram acompanhados pela Gastrenterologia, pela Cirurgia e pela Oncologia".

A equipa médica era inicialmente constituída por Mahomed Americano, Edgar Amorim e Juan Rachadell. Com a ida do primeiro para a direção clínica do CHUA, juntou-se ao grupo, em 2014, Miguel Cunha, que se encontra no último ano do Internato de Formação Específica de Cirurgia Geral do CHUA.


Juan Rachadell, Miguel Cunha, e Edgar Amorim

Um dos primeiros passos foi realizar auditorias, com o objetivo de verificar “quais os pontos a melhorar” e quais os que eram prioritários. Houve a necessidade de criar protocolos e uma consulta – de Tubo Digestivo/Cólon e Reto – que, além da Cirurgia, conta com o envolvimento da Nutrição, da Estomaterapia, da Enfermagem e dos Cuidados Paliativos.

“Quando são referenciados para a nossa consulta, os doentes são recebidos por uma equipa de enfermagem”, relata Edgar Amorim, frisando o papel importante dos enfermeiros no incremento da qualidade de cuidados prestados:

“São responsáveis pela primeira articulação dos doentes na nossa instituição. Muitas vezes, estes vêm com diagnósticos de neoplasias do cólon e reto com os quais não estão preparados para lidar.”


Mahomed Americano e Edgar Amorim

Os elementos de Enfermagem entregam a cada doente um contacto telefónico e um endereço de e-mail, que podem utilizar para esclarecer qualquer dúvida que tenham relativamente ao seu processo, exames ou no caso de haver alguma alteração clínica.

De acordo com Edgar Amorim, são igualmente os enfermeiros que efetuam as colheitas para análises para que o doente seja avaliado pela Imunohemoterapia. “Quando chegam à consulta, os doentes encontram-se muitas vezes desequilibrados, com anemia e algum grau de desnutrição."

"Se sabemos que possivelmente temos de atuar cirurgicamente nestes doentes dentro de 3-4 semanas, é importante começar a prepará-los quando chegam à consulta”, explica o médico de 43 anos que, embora seja natural da Marinha Grande, vive no Algarve desde criança.



Depois da Consulta de Enfermagem, os doentes passam para a Consulta Médica, onde são solicitados exames complementares de diagnóstico. São depois encaminhados para a Consulta de Nutrição e/ou Estomaterapia (se for necessário). Tudo acontece no mesmo corredor.

Quando o estudo está completo, efetua-se uma consulta de decisão terapêutica, que envolve a equipa multidisciplinar, onde todos os doentes com cancro do cólon e reto são discutidos. Depois desta decisão sai uma proposta terapêutica, que pode passar pela intervenção cirúrgica ou neoadjuvância, no caso dos tumores do reto.

Depois da intervenção cirúrgica e após nova discussão em decisão terapêutica, os doentes ou são seguidos pela Consulta do Tubo Digestivo/Cólon e Reto ou passam a ser acompanhados pela Oncologia. O seguimento é feito durante cinco anos.



A formação constitui uma vertente importante deste grupo. Além daquela que recebeu, também realiza ações formativas, como, por exemplo, um curso que organizou de cirurgia colorretal para enfermeiros dirigido a profissionais de unidades hospitalares públicas e privadas do Algarve.

Foca-se, igualmente, em melhorar a articulação entre os cuidados de saúde primários e os cuidados hospitalares, nomeadamente, através da organização de sessões clínicas.

Além de participar na Consulta do Tubo Digestivo/Cólon e Reto e na Consulta de Decisão Terapêutica, a equipa multidisciplinar dá apoio às consultas de estomaterapia, de patologia funcional do pavimento pélvico e de doença inflamatória.



O número de consultas realizadas tem aumentado progressivamente desde o início. Em 2014, efetuaram-se 281, enquanto em 2018 foram feitas 1052, às quais se juntaram os apoios que o Grupo deu às outras consultas, perfazendo um total de 1415. No dia em que a equipa da Just News esteve em Portimão, no final de janeiro de 2019, encontravam-se em seguimento 783 doentes.

Os casos são provenientes sobretudo do Barlavento Algarvio, embora possam ser referenciados de qualquer ponto do país. Uma das intenções do Grupo era assumir a responsabilidade pela realização de todas as cirurgias eletivas, o que tem sido conseguido. Em 2015, 78% das cirurgias eletivas foram realizadas por elementos da equipa. Em 2016, o número subiu para os 85% e em 2018 o número chegou aos 100%.


Sonia Ponces Filipe e Daniela Costa

"Elo de ligação" entre os diversos elementos da equipa

O papel da Enfermagem é fundamental no acompanhamento dos doentes seguidos pelo Grupo de Cirurgia Colorretal. Segundo Mariana Santos, enfermeira-chefe da Consulta Externa, o enfermeiro é o “elo de ligação entre os diversos elementos da equipa multidisciplinar”.

A profissional, de 54 anos, gere uma equipa de três enfermeiras – Daniela Costa, Sónia Filipe e Suzana Kuenzel –, que fazem as consultas de Enfermagem e que estão presentes nas reuniões de equipa multidisciplinar, onde são tomadas decisões sobre o utente.



Enquanto enfermeira-chefe, a Marina Santos cabe, fundamentalmente, o planeamento e gestão dos cuidados e recursos, de forma a que se alcancem os resultados que têm existido até aqui.

“O enfermeiro é como um aglutinador de sinergias. Além disso, no tratamento do utente, consegue realmente coordenar toda a intervenção de cada um dos intervenientes, centralizando toda a sua intervenção no doente e nas suas necessidades”, diz.


Mariana Santos

Centro de Referência do Cancro do Reto: o 1.º a ser certificado pela ACSA

Desde 11 de maio de 2016 que o CHUA é reconhecido como Centro de Referência do Cancro do Reto, após submissão de candidatura e avaliação favorável (Despacho n.º 3653/2016, DR, 2.ª Série). Além dos serviços de Cirurgia, de Oncologia, de Radiologia e de Gastrenterologia, que funcionam nas unidades de Faro e Portimão, envolve também a Anatomia Patológica (Faro).

O Centro dispõe de “estruturas e equipamentos médicos altamente especializados, garantindo que os cuidados são prestados de acordo com os mais elevados padrões de qualidade”.


Mahomed Americano

Em declarações à Just News, Mahomed Americano, diretor clínico do CHUA, explica o que está na génese da criação dos centros de referência: “Há uns 20 anos, a Medicina era personalizada, ou seja, era em torno de um mestre. Com a evolução, o paradigma da abordagem do doente e da doença mudou, o que significa que o médico deixou de ser detentor de todo o conhecimento e da forma de tratar o doente e passou a compartilhar.”

O diretor clínico do CHUA elenca como vantagens dos centros de referência “maior qualidade no tratamento, mais proximidade e maior independência”.

O Centro de Referência do Cancro do Reto foi o primeiro a ser certificado pela Agencia de Calidad Sanitaria de Andalucía (ACSA), em dezembro de 2018.

1.as Jornadas de Cirurgia Colorretal do Algarve

Promovidas pelo Grupo de Cirurgia Colorretal do Serviço de Cirurgia II, em parceria com o Algarve Biomedical Center (ABC), as 1.as Jornadas de Cirurgia Colorretal do Algarve realizaram-se no início deste ano, tendo reunido cerca de duas centenas de profissionais de saúde.



O evento, considerado um sucesso, surgiu "de forma natural", no seguimento do trabalho que o Grupo tem vindo a desenvolver. Por um lado, permitiu precisamente partilhar as boas práticas que têm vindo a ser implementadas no CHUA, mas também "promover a discussão e abordagem de temas do foro da cirurgia colorrectal".

Edgar Amorim recorda ainda que as jornadas tiveram "uma dimensão nacional" e para tal muito contribuiu o "conjunto de palestrantes de elevada relevância internacional".

Na sessão de abertura, Paulo Morgado, presidente da ARS Algarve, fez questão de sublinhar: “O CHUA é uma das maiores instituições hospitalares do país e, por isso, tem grandes responsabilidades na área da formação.”

Nuno Marques, que preside ao consórcio Algarve Biomedical Center, foi outro dos intervenientes, assegurando ter sido uma honra poder apoiar o evento. E garantiu: “Queremos sempre fazer melhor, focar-nos nos doentes e na população.”






A reportagem completa, que inclui entrevistas a outros profissionais, pode ser lida no Hospital Público de maio/junho 2019.
Distribuído em serviços e departamentos de todos os hospitais públicos, o jornal Hospital Público promove uma partilha transversal de boas práticas entre pares, contribuindo para valorizar o Serviço Nacional de Saúde e os seus profissionais.

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