«Mais de 50% dos doentes com VIH continuam a ser diagnosticados numa fase tardia»

O crescimento da incidência do VIH na população idosa, devido ao aumento da esperança média de vida, é um fator de preocupação para José Vera, coordenador do Núcleo de Estudos da Doença VIH (NEDVIH) da SPMI.

O médico projeta que “dentro de 10 anos, mais de metade da nossa população de doentes terá mais de 60 anos”, propiciando “patologias associadas, como a diabetes ou a hipertensão arterial, mais precocemente”.


José Vera

Num ano marcado pela comemoração dos 20 anos do NEDVIH, o coordenador e fundador do núcleo salienta que é necessário “reforçar o pedido de diagnóstico precoce nas zonas de alta incidência, uma vez que mais de 50% dos doentes continuam a ser diagnosticados numa fase tardia”.

Estas foram algumas das questões discutidas no 1.º Curso Intensivo de Infeção e Doença VIH, realizado entre os dias 24 e 27 de setembro, no Hotel dos Templários, em Tomar.

Segundo o médico internista, este curso procurou debater fundamentalmente “as patologias associadas à doença VIH, além do controlo da infeção”, sublinhando que se trata de “uma doença sistémica que implica olhar para o todo”.



Desenhado para 30 formandos, José Vera refere que este curso contou com a presença de uma camada jovem de internos e recém-especialistas de Medicina Interna e Doenças Infeciosas, possibilitando “o enriquecimento de conhecimentos sobre o doente VIH, nomeadamente em contexto de internamento no Serviço de Medicina Interna ou no atendimento no Serviço de Urgência”.



Marcado pelo “debate de casos clínicos e diálogo com os formadores”, este curso, dividido em 10 módulos, tratou as temáticas da Virologia, Imunidade e inflamação, Terapêutica antirretroviral, Infeções oportunistas e co-infeções virais e ainda as Patologias Cardiovascular, Renal, Pulmonar, Metabólica e Psiquiátrica.


Participantes do 1.º Curso Intensivo de Infeção e Doença VIH

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