Medicamentos de qualidade a um custo acessível

No ano 2000, não havia praticamente medicamentos genéricos, em Portugal. Contudo, este é um setor que, na última década, cresceu de forma acentuada, representando hoje cerca de 45% do mercado do SNS. Entrevistado pelo Jornal Médico, Paulo Lilaia, presidente da Associação Portuguesa de Genéricos e Biossimilares (APOGEN), fala desta evolução, das próximas metas e das dificuldades sentidas pelas empresas que comercializam genéricos, que se prendem, sobretudo, com os sucessivos cortes de preços e com o atual esmagamento do seu valor. Refere ainda a importância de existirem no mercado “medicamentos de qualidade comprovada a preços acessíveis: os genéricos”.

"Os preços dos genéricos caíram, desde 2008, cerca de 70% e isso criou uma pressão tremenda nas empresas que os comercializam. Os preços destes medicamentos, em Portugal, são hoje reconhecidamente muito baixos, não sendo fácil, para as empresas que os comercializam, viver desta forma, principalmente, num mercado pequeno, num país com apenas 10 milhões de pessoas.", refere o presidente da APOGEN, e alerta: "Esta situação cria grandes desafios e dificuldades às empresas que comercializam genéricos."

Tratar mais doentes com o mesmo orçamento

Entre vários temas abordados nesta Grande Entrevista, Paulo Lilaia, presidente da APOGEN pelo terceiro mandato consecutivo, salienta, a propósito dos medicamentos biológicos, que a sua utilização tem vindo a aumentar significativamente durante os últimos anos e esclarece que, "por serem dispendiosos, a sua maior utilização tem contribuído, consequentemente, para um aumento acentuado da despesa na área da saúde a nível global, sendo que o crescimento do mercado dos biológicos é o dobro da taxa de crescimento total de medicamentos. Os medicamentos biossimilares fornecem uma oportunidade única para ajudar a controlar a despesa crescente com os biológicos, permitindo tratar mais doentes com o mesmo orçamento e também libertar recursos para financiar outros tratamentos de elevado custo."

Acrescenta que, "paradoxalmente, os dados de utilização europeus mostram-nos que são os países com o PIB mais elevado que têm tirado o maior benefício desta oportunidade dada pelos medicamentos biossimilares; este é um sinal do potencial que estes ainda representam para países como Portugal".



A Grande Entrevista a Paulo Lilaia pode ser lida na edição de setembro do Jornal Médico.

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