O sucesso da gestão da DPOC «assenta numa equipa de cuidados de saúde primários funcional»
Rui Costa, coordenador do GRESP - Grupo de Estudos de Doenças Respiratórias, um núcleo da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, sublinha, na última edição do Jornal Médico, que "uma mais efetiva e eficiente gestão integrada da doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) certamente contribuirá para reduzir a taxa de internamentos, de morbilidade e de mortalidade por esta doença respiratória".
Doença associada a múltiplas comorbilidades
O especialista em MGF começa por explicar o alcance da DPOC: "uma doença obstrutiva crónica das vias aéreas com manifestações sistémicas e associada a múltiplas comorbilidades, tais como doenças cardiovasculares, infeções respiratórias, osteoporose, ansiedade e depressão, doença do refluxo gastroesofágico, cancro do pulmão, apneia do sono, síndrome metabólica, diabetes e bronquiectasias, entre muitas outras".
Na sua opinião, "o médico de família deverá, no âmbito das suas funções, ser capaz de fazer a prevenção, o diagnóstico precoce, a avaliação da gravidade, o tratamento mais adequado, o seguimento e acompanhamento da maior parte dos doentes com DPOC e saber quando solicitar apoio e referenciar para cuidados mais diferenciados".
Afirma igualmente que a educação contínua do doente e da sua família sobre a DPOC e as modalidades de prevenção de crises, vigilância e tratamento que deve utilizar "são também componentes importantes da estratégia de controlo desta incapacitante doença".
Elementos chave
Segundo Rui Costa, o sucesso da gestão da DPOC "assenta na prestação de cuidados de saúde personalizados, continuados e de qualidade, assenta numa equipa de CSP funcional, em que o médico de família e o enfermeiro de família são elementos chave".
Refere ainda que esta equipa primária de saúde "deve estar suportada por uma rede de equipas multiprofissionais adequadamente articulada e de proximidade, eficiente e orientada para o doente com DPOC e atendendo aos efeitos sistémicos e à multimorbilidade, pelo menos composta por pneumologista, cardiologista, internista, psiquiatra, psicólogo, fisiatra, fisioterapeuta, nutricionista, enfermeiro especialista e assistente social".
Investir, melhorar, otimizar
Na sua opinião, e com o intuito de se melhorar o estado de saúde dos doentes com DPOC, "devemos investir significativamente na educação para a saúde e na prevenção da DPOC, nomeadamente, no combate ao tabagismo, especialmente na população jovem, na cessação tabágica, na evicção de outras exposições ambientais, na proteção do ambiente com garantia da qualidade do ar que respiramos no interior e no exterior dos edifícios; na melhor cobertura vacinal da população contra a gripe e a doença pneumocócica; nos conselhos nutricionais; na prescrição de exercício físico regular e na intervenção psicológica e comportamental".
Entre vários outros aspetos a melhorar, apontados por Rui Costa no artigo, é feita referência à necessidade de "melhorar a acessibilidade local em tempo útil à espirometria de qualidade, independentemente da área geográfica, cabendo ao MF a sua interpretação; melhorar a acessibilidade destes doentes a cuidados de saúde especializados, através de uma rede privilegiada de referenciação para as doenças respiratórias crónicas".


