Otorrinolaringologia: assistência médica no SNS «pode estar em causa»

Do total de 633 especialistas em ORL que existem em Portugal, apenas 287 desenvolvem atividade no Serviço Nacional de Saúde (SNS). De acordo com Ezequiel Barros, presidente da Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (SPORL), esta realidade “pode pôr em causa não só a assistência médica, como também a formação pós-graduada no SNS”.

Os dados foram referidos pelo responsável na cerimónia de abertura da Reunião do Núcleo Norte da SPORL, e reportam a um estudo realizado há cerca de dois anos pelo próprio médico, em conjunto com Artur Condé, presidente do Colégio de Especialidade de Otorrinolaringologia da Ordem dos Médicos, para a União Europeia dos Médicos Especialistas (UEMS).

“Este é um problema que nos preocupa seriamente enquanto pessoas com responsabilidades no SNS e acho que todos devemos refletir um pouco sobre isso”, acrescentou o especialista na sessão que foi conduzida por José Saraiva, secretário-geral da Sociedade.



Ao usar da palavra, o presidente da Escola de Medicina da Universidade do Minho (EMed), Nuno Sousa, mencionou que “a ligação entre as escolas de medicina e os colégios de especialidade tem de ser uma nova realidade para projetar a formação e, em certa medida, colmatar algumas das dificuldades dos novos tempos”.

“A saúde não são números, a saúde são pessoas e é promovida através de uma formação muito sólida que tem características científicas, multidisciplinares, mas também na dimensão humana daquilo que é a nossa atividade singular.”

Nuno Sousa realçou que a missão da EMed “não é formar médicos, mas melhorar os cuidados de saúde das populações através da formação e da promoção de conhecimento e da geração de valor”.

Homenagear quem contribuiu para a ORL

Luís Dias, um dos coordenadores da Reunião e diretor do Serviço de ORL do Hospital de Braga, salientou que a SPORL é uma sociedade científica com história, que “homenageia aqueles que deram o seu contributo e acarinha os que chegam de novo”, tendo aproveitado o momento para, também ele, em nome da SPORL, prestar homenagem a António Bentes Cabrita, especialista em ORL que se formou no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, presidente de honra do evento e também ele presente na mesa de abertura.


Luís Dias, António Bentes Cabrita, Ezequiel Barros, Nuno Dias e Artur Condé

“Trabalhou com nomes conhecidos da ORL, como o Dr. Samuel Ruah e o Dr. Nobre Leitão. Em 1969, iniciou a sua atividade no Hospital da Senhora da Oliveira, em Guimarães, onde esteve até 1985, tendo sido diretor do Serviço de ORL. Em 1986, iniciou funções como diretor do Serviço de ORL no Hospital de São Marcos, em Braga, até 2002, altura em que se aposentou. Durante alguns anos também participou nos órgãos sociais da SPORL, como vice-presidente da assembleia-geral”, descreveu. E acrescentou:

“No seu tempo, e com os constrangimentos da época, conseguiu lançar as bases do que mais tarde viriam a ser dois serviços com muito dinamismo e alto padrão de qualidade que atualmente se encontram nessas localidades dando apoio às respetivas populações.”

Luís Dias lembrou ainda que o Hospital de São Marcos foi um dos primeiros a ser fundados em Portugal, a mando do arcebispo D. Diogo de Sousa, em 1508, congregando os vários centros de apoio a doentes que na época estavam dispersos pela cidade de Braga.

Artur Condé, presidente do Colégio da Especialidade de ORL da Ordem dos Médicos, também marcou presença na abertura da Reunião, tendo salientado: “Este momento é sempre importante, principalmente para os mais novos. Para apresentarem as suas comunicações, para colherem conhecimentos dos palestrantes que aqui vêm e, principalmente, para verem que antes de nós e antes de vocês apareceram pessoas que, em tempos difíceis, conseguiram fazer muito.”



Também em jeito de homenagem, Ezequiel Barros dedicou algumas palavras a Rocha Lourenço, que faleceu no dia anterior, tendo-o descrito como “pequeno, mas grande homem que foi o esteio da ORL na ilha Terceira e que deixou um serviço exemplar”.

Delfim Duarte, diretor do Serviço de ORL do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, e Jorge Spratley, otorrinolaringologista do Centro Hospitalar Universitário de São João, também foram coordenadores da Reunião.


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