Patologia vulvovaginal: 1.º curso internacional da ISSVD realiza-se em Portugal

"Esta é uma oportunidade única de formação”, sublinha Pedro Vieira Baptista, secretário-geral da International Society for the Study of Vulvovaginal Disease (ISSVD). O curso, que se realiza na cidade do Porto, estará focado "na mais recente informação sobre como diagnosticar e tratar doenças vulvovaginais".

É com evidente satisfação que, em declarações à Just News, o responsável afirma: "É para nós uma grande honra que o primeiro destes cursos seja realizado em Portugal! Ouvir e discutir os temas com alguns dos maiores nomes da área é, sem dúvida, uma excelente oportunidade!"

Aliás, a propósito dos oradores convidados, provenientes de França, Itália, Holanda, EUA, Israel e Espanha, além de Portugal, Pedro Vieira Baptista refere mesmo tratar-se de "um grupo de luxo". E, a título de exemplo, refere os quatro ex-presidentes da ISSVD (Libby Edwards, Jacob Bornstein, Micheline Moyal-Barraco, José Martinez de Oliveira) e o atual presidente (Mario Preti).


Pedro Vieira Baptista: "vamos ter palestrantes de topo e as inscrições são mais acessíveis que o habitual"

Fazendo questão de sublinhar que "os oradores presentes neste curso foram os responsáveis pelos mais importantes documentos publicados pela ISSVD nos últimos anos!", o ginecologista e obstetra explica tratar-se de um grupo que inclui ginecologistas, dermatologistas, uma anatomo-patologista e uma farmacêutica, "mostrando claramente o espírito da sociedade".

"Uma aposta da atual Direção"

Quase a celebrar meio século de existência, "a ISSVD é uma sociedade composta por diversos grupos profissionais e especialidades, o que a transforma numa sede única de discussão!"

Considerada por Pedro Vieira Baptista como "claramente, a sociedade mais importante em termos de patologia vulvovaginal", a ISSVD organiza um curso a cada dois anos, associado ao seu congresso mundial, e a secção da América do Norte da ISSVD organiza 1 a 2 cursos anuais, nos EUA, tendo realizado, no final do ano passado, pela primeira vez no Canadá.

Desta forma, "a realização de cursos da Sociedade fora da América do Norte, e sem serem integrados no congresso mundial, surge como uma aposta da atual Direcção!". O motivo? "É importante que chegue ao maior número possível de clínicos interessados nesta temática", refere o médico.



Formação de interesse para diversas especialidades "e além da classe médica"

À semelhança da abrangência da própria ISSVD, o programa do curso "é muito útil para especialistas e internos de Ginecologia/Obstetrícia, mas não só". Segundo o ginecologista e obstetra, "há uma panóplia grande de especialidades médicas que podem beneficiar da formação e que estão a inscrever-se no curso", mencionando a Dermatologia, Anatomia Patológica, Medicina Geral e Familiar, Medicina Física e de Reabilitação.

O especialista dá um exemplo concreto: "A patologia vulvovaginal, mais especificamente a vulvar, está a aumentar, com o aumento da longevidade. Frequentemente, é o médico de família quem primeiro contacta com as queixas deste foro, pelo que muito poderão beneficiar com este curso!"

Contudo, a formação tem um alcance ainda mais vasto, já que o seu interesse "vai mais para além da classe médica", sublinha. É o caso, nomeadamente, "de profissionais ligados à sexologia, fisioterapeutas, psicólogos e enfermeiros, que poderão encontrar aqui informação muito útil para a sua prática."

Ainda que seja um curso internacional, "a nossa expectativa é que a maioria dos participantes seja portuguesa, mas temos já inscrições de Israel, Irlanda, Polónia, etc. Interessantemente, temos tido pedidos de informação de países onde a nossa implantação tem sido fraca, como a Rússia, Egipto, Tunísia!".


Pedro Vieira Baptista e José Martinez de Oliveira, responsáveis pelas comissões científica e organizadora do 1.º curso da ISSVD

"Lesões precursoras vulvares vão diminuir de forma marcada"

Pedro Vieira Baptista, atualmente responsável pela Unidade de Patologia do Trato Genital Inferior do Centro Hospitalar de São João, no Porto, é um dos oradores do curso.

A propósito do tema que irá desenvolver, intitulado “Impact of vaccines on vulvar and vaginal HPV infection”, recorda que o impacto da vacina contra o HPV é sobejamente conhecido, "sobretudo relativamente ao cancro do colo do útero e suas lesões precursoras e aos condilomas. O HPV é igualmente responsável pela maioria dos cancros da vagina e de uma parte dos da vulva."

Afirma que a vacinação levará à diminuição destas neoplasias, "mas demorará mais tempo a que esse efeito seja perceptível: lesões mais raras e em populações específicas (imunodeprimidas, fumadoras). A ideia será discutir o que esperar - e quando, é que tal vai afectar a nossa prática."

E acrescenta: "Uma das ideias a desenvolver será a de que as lesões precursoras vulvares vão diminuir de forma marcada, bem como os cancros associados ao HPV - mas que o impacto global em termos de cancro vulvar não será tão evidente, dado existirem outras vias de malignização (diferentemente do colo do útero e vagina)."



"Estimular o interesse pela área"

Quanto às expectativas para o curso, onde são aguardados mais de uma centena de participantes, "desejo que especialmente os internos aproveitem esta oportunidade!", indica Pedro Vieira Baptista. O médico, que tem procurado contribuir para a dinamização desta sociedade científica desde que assumiu o cargo de secretário-geral, em setembro do ano passado, faz questão de deixar o convite:

"Esperamos que este curso possa estimular o interesse pela área e que motive alguns dos participantes a juntarem-se à ISSVD e a participar no congresso que organizaremos em Turim este ano!"

O programa pode ser consultado aqui

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