Pioneiro do minibypass gástrico veio a Portugal: «um dia histórico para a cirurgia da obesidade»
A maior redução de peso e o controlo mais eficaz da diabetes são duas das vantagens do minibypass gástrico, cirurgia da obesidade que se realiza, desde 2010, no Centro de Tratamento Cirúrgico da Obesidade do Hospital de Curry Cabral - Centro Hospitalar Lisboa Central (CHLC).
“Mais do que os benefícios estéticos são os de saúde, porque comorbidades como a diabetes ou a hipertensão são melhor controladas após esta cirurgia, comparativamente às técnicas mais comuns”, afirma António Albuquerque. O cirurgião geral do Centro foi um dos formadores do 1° Curso de Minibypass Gástrico, que decorreu recentemente no hospital e que contou com a presença do mentor da cirurgia a nível mundial, o cirurgião norte-americano Robert Rutledge.
Na sua opinião, este foi "um dia histórico no panorama da cirurgia da obesidade em Portugal", afirmando mesmo ter sido "uma honra estar lado a lado com o pioneiro daquela que é a cirurgia bariátrica por nós mais realizada, com excelentes resultados". 
António Albuquerque
A relevância da formação fica também evidenciada pela presença de experientes cirurgiões, coordenadores de outros centros do País: John Preto (Centro Hospitalar de S. João), Manuel Carvalho (Hospital do Espírito Santo, Évora), João Almeida (Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra) e Carlos Trindade (Centro Hospitalar de Setúbal), que iniciou recentemente esta técnica cirúrgica.
Preparação da cirurgia
Minibypass gástrico em Portugal deu os primeiros passos no CHLC
Em declarações à Just News, António Albuquerque recorda quando se realizou o primeiro minibypass gástrico há 8 anos: “Na altura, parte da equipa integrava o Hospital S. José e foi muito bom iniciar esta nova revolução numa doença que tem um impacto muito significativo na qualidade de vida dos doentes”.
Desde 2010, altura em que se começaram a realizar as primeiras intervenções deste tipo no CHLC, já foram realizadas 544 cirurgias, contabilizando-se 80 já este ano. “Os resultados não podiam ser melhores, não só pelas vantagens em termos de saúde na sua globalidade, mas também pela reversibilidade da técnica”, frisou António Albuquerque.
E especifica: “Caso não se consigam os objetivos pretendidos pode sempre voltar-se a operar e fazer um desvio maior ou menor do intestino delgado para que a pessoa perca mais peso e controle os problemas de saúde subjacentes.”
Além da obesidade mórbida ou de classe III, a técnica cirúrgica tem sido também uma opção em casos de obesidade menos grave das classes II e I, sempre que não se consiga fazer face às complicações subjacentes a comorbilidades, como a diabetes.
"Redução potencial de morbilidade e mortalidade"
Quem ajudou na implementação da técnica em Portugal foi o cirurgião geral norte-americano Robert Rutledge, pioneiro da cirurgia em 1997, nos EUA, e que, desde então, anda pelo mundo a divulgar esta alternativa cirúrgica e a ensinar os colegas de vários países, nomeadamente da Europa e do Médio Oriente. 
Robert Rutledge
Rutledge explica à Just News que “o nome exato desta técnica cirúrgica é bypass gástrico de anastomose única (one anastomosis gastric bypass) mas, para simplificar, diz-se minibypass gástrico”.
Continuando, especifica que “este procedimento propõe uma simplificação do bypass em Y-de-Roux, através da realização de uma única anastomose, com significativa redução da complexidade técnica, menor tempo operatório e redução potencial de morbilidade e mortalidade”.
O especialista refere ainda que “diversos estudos demonstraram os benefícios proporcionados por este procedimento, incluindo perda de excesso de peso e resolução de comorbilidades equivalentes ou até superiores às observadas após o bypass gástrico em Y-de-Roux”.
Apesar dos bons resultados da cirurgia, Rutledge faz questão de salientar que “a epidemia da obesidade deve ser controlada, sempre que possível, com mudança de estilos de vida desde a infância, para se evitar, sempre que seja possível, o desenvolvimento desta doença”. 
Carlos Trindade, John Preto, João Almeida, Manuel Carvalho, Celso Nabais, António Albuquerque, Robert Rutledge, Nuno Borges e João Pereira
Uma técnica a replicar em mais hospitais portugueses
Quem também integra a equipa de cirurgiões gerais do Centro é Nuno Borges, para quem esta cirurgia foi um passo gigante na vida de muitos doentes. “É muito gratificante poder tratar os doentes através da cirurgia, porque as consultas de pós-operatório são de felicidade, já que a pessoa não perdeu apenas peso, mas melhorou a diabetes, a hipertensão, a síndrome da apneia do sono, entre outros.”
E relembra: “Estas pessoas não são obesas por vontade própria, hoje em dia sabe-se que a obesidade é uma doença grave, mesmo com mudanças de estilo de vida pode não se conseguir-se perder peso suficiente.” Em termos mais técnicos, Nuno Borges garante que é “uma técnica muito simples, nada complexa”.
João Pereira, o coordenador do Centro de Tratamento Cirúrgico da Obesidade do CHLC, também não podia ter melhor impressão. “Ao longo destes anos temos tido bons resultados, daí esta partilha de informação e este curso para que possamos replicá-la em mais hospitais do País, pois estaremos com certeza a contribuir para a prestação de bons cuidados de saúde”, menciona.
Em suma, toda a equipa acredita que o minibypass gástrico vai ser opção em mais hospitais, daí que além deste curso se espere poder realizar outro, de maior dimensão e para mais cirurgiões, ainda este ano.
“Talvez por ocasião do 22.º Congresso Português de Obesidade que vai decorrer entre 23 e 25 de novembro, em Lisboa”, disse António Albuquerque, que é o presidente da Comissão Organizadora Local desse evento, organizado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO).
Depois da preparação... a equipa a caminho de mais uma cirurgia bem sucedida


